segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Essências

Desejo na ternura
das madrugadas
um sentir que transcende
a dor e adormece
no teu calor

Um sopro
quente
de um aconchego

E eu...
ligo-me às quimeras
do meu silêncio
rumo ao átrio
da fome

Desconheço
o teu nome
e enlouqueço
junto ao limiar
de um sonho

Sinto-te
essência corporal
absorvo estes laivos
dormentes
de seiva pura

Rasgo
o infinito de mim
e semeio num corpo
os restos mortais
de um clamor
que foi
um nome

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Abismo de Certezas

Sigo-te nos sinais
que se expandem
Nos gestos enigmáticos
Do meu Ser...

Rumos indefinidos
na inconsequência
Dos actos

Mergulho num abismo de certezas
Acrobáticas…
Envolventes…
Transcendentes...
Sol que me enlaça no fim de tudo

Esperança de um aconchego
Na entrega
Dor no amor
Medo nos caminhos
Da incerteza

Em vidas paralelas
Dispo-me de ausências
Do meu querer
E quero...
Na tua alma me estender

Escrever Para Ti

(P/Alguém especial...podes ser Tu!)

Escrevemo-nos assim…com a leveza da alma
Registamos o que já foi dito
Somos tudo o que não foi escrito

Mas escrever para ti é ter tudo o que falta
satisfazer carências,
nutrir-me das palavras soltas
que me emprestas em noites como esta...

Uma brisa suave com o bater da chuva na janela.
Sabes que depois de te ler,
o sono vem suave como um beijo teu ?

Quem somos nós?
Eu estou aqui e tu estás aí
Somos personagens inventadas por nós próprios
Concordamos e assim ficamos...
Lemo-nos e saboreamo-nos com as nossas palavras

domingo, 21 de dezembro de 2008

Sopro Largo

Refiz a íngreme calçada. Incauta, por passagens secretas, abrilhantei-me nos espaços que sombreiam colinas empedernidasUm sol espavorido, foge da dor que enfeita os mais altos cumes disfarçados.Morros frios estendem-se sobre uns prados secos, e aves soltas esgueiram-se sobre as nuvens a descoberto.

Fixei-me num sonho calmo com um travo amargo. Um vento afaga o meu manto breve, saboreio o ar que me sabe a mel que desliza do cimo do monte em sopro largo

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Sonhos de Inverno e os Rios da Alma

Imagem de Bárbara Elias
Caí num poço sem fundo
Engoliu-me o vazio e a alma partiu em busca de outros sóis
No invisível, mostro-me ao que está ao alcance de uma mão
Um sonho parado no meio do Inverno

O frio congela-me os pensamentos livres
Ouvem-se serenatas roucas do fundo do mar
Afundaram-se os sonhos
Jazem junto às marés que se entregaram de mãos vazias

Um novo horizonte, uma gota no meio do oceano
Afoga-se na corrente morna dos rios que correm
Uma prece num sorriso a boiar
Um palco distante onde me arrasto para aprender a dançar

Descubro-me nos caminhos alagados
Nos remoinhos que afundam os rios do mundo
E solto-me na aridez de um sonho solto
Que se encosta ás margens de encontros casuais

E a alma...fonte inatingível
Jorra lágrimas correntes na linhagem habitual
Sabores conjugados, sentires afogados
Encantos e desencantos, sonhos fechados

O sol chora, acorda os picos entrelaçados
E os corpos desfilam na subtil indiferença dos mundos
Os mares extinguem-se nos oceanos de uma lágrima
Que se recolhe até à chegada das novas eras….

Cânticos Singulares

Encontro-me neste centro longe do inteligível
Lanço-te um desafio
Consolidarmo-nos em novos ideais
Porque esperas se sou a tua busca interminável?

O que sentes neste círculo de meias verdades
Esta cúpula, totalidade de não eus
É onde me sento agora e mato esta sede de ti
Quero o derradeiro encontro...salto do imaginário

Sentir-te em linguagens similares
Encosto-me a ti e não existe um ponto comum
A uniformidade das leis que arrastas
Nas encostas articuladas com pinturas ancestrais

Ler-te nas entrelinhas do teu pensar
Iniciar um canto sentindo-te...em músicas singulares
Um canto cheio mas singelo
Na extremidade de uma longa estrada

Dita-me a alma, pinta-a de sentimentos
Dá-me o autêntico colorido, verdades inteiras e afins
Arranca-me deste alheamento confinado
Não te entendo nos teus sinais!

Escrevo versos que vestem os poros humedecidos da minha pele
Imprimo o exacto momento das palavras
Que me trazem gélidas paisagens
Artifícios de mil sóis...

Alagam o fundo dos mares
Dançam a música dos temporais
Ávidas como os ventos que se deitam nas marés do deserto
Distanciam-nos de nós...Onde estamos, Tu e Eu?
*****Feliz Natal******
Publicado em:

sábado, 13 de dezembro de 2008

Sons...

Tb Publicado: http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=46130
Que os sons que me chegam se diluam no meu pensamento
Estas tempestades que deixam um rasto lamacento
Nos telhados desprovidos
Rompem pela minha morada e entre a inspiração e a expiração
Preciso reaprender a respirar e limpar a poeira acumulada

É urgente que as correntes galguem estas muralhas mutiladas
E a maré cheia que me invade a alma se extinga no meu corpo
E faça surgir na arvorada uma réstia de luz
Um olhar flamejante que se alonga na flacidez do luar
Ou na excentricidade dos gestos acabados de chegar

Fico só neste barco que se afunda no rebuliço das marés
Declino a minha voz que se extingue sitiada neste mar
E absorvo estes sons que caíram no meu sono rarefeito
Resvalam no meu corpo que definha num suspiro
Respiro…nesta onda que granjeou a força e se afoitou no ar

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

E o Céu Ali Tão Perto

Tb publicado:
Um refúgio, uma dor do momento
E as nuvens ali tão perto...
Escondo-me nas camadas mais densas onde habito
Falta-me a liberdade de pensamento

E esta escuridão é um monte que se perde no longínquo
Prendo-me na calmaria das cores que se esbatem
Numa planície sem limites
Não as consigo alcançar nem com o olhar

Densidade de um momento
E o céu ali tão perto...
E aqui neste chão, germinação a que pertenço
Semeio a loucura e esqueço

Não me vejo e em ti aconteço
Sou na luz que aflora nos campos verdejantes
Sou nas intempéries que transbordam o sentimento
Marés que irrompem madrugadas alucinadas

Circunstância viva, um só pensamento
E a liberdade ali tão perto...

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Metamorfose

A sonolência aconchega esta irreverente agitação
Encosta-se ao silêncio de corpos casuais
Demanda de orlas brancas regem-se pelo instante
Que domina a força do sentir

Atenta na emoção que ladeia a roda do seu pensar
Gira em torno das esferas transparentes
Em devaneios e encontros carnais
E a força profana medeia o fantástico

O ilusório é sementeira neste chão escarpado pelos temporais
E aguarda pela colheita do fim do verão
Ideias e pensamentos florescem nos doces madrigais
Recolhem-se em abóbadas celestiais

Ânsia da derradeira transmutação
Ceifam as hastes que glorificam o pensamento
Rumo a novos caminhos
Na doce contemplação do mundo

Um Novo Canto

A facilidade com que me dou
É acolhida no absurdo das palavras
Um acto de demência
Esta miséria de afectos
Que se perdem nos contornos da história

Cenários gastos, contraditórios
Que se abrigam à luz do tempo
Escolhas fáceis
Determinantes de um desejo contido
Blasfémias, ironias do destino

Encaixo-me nesta imundice terrena
E não vejo uma saída
Quero novamente o desejo de te ter
De sorrir para ti...
E os meus olhos embelezaram a cor dos dias

As noites ficaram perdidas
Só com o calor dos corpos
Despem-se nas frias madrugadas
E eu por aqui, sonhando amar-te
Cantar-te em novos poemas

Suavizá-los com a cor de um novo olhar
Saciá-los com um só sopro
Neste palco onde me deito
Esta fome de te amar
Esta sede de ti...
Tb Publicado em:

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Em Busca de Paraísos Perdidos

Não me encontro nesta vasta planície
Sou uma foragida na grandeza deste silêncio que me fez
E rendo-me ao infinito mundo das estrelas
Ouvem-se novos ecos nos gélidos penedos
Uma aurora fértil abre-se à chegada de um novo azul do céu

Sinto frio, muito frio...
Os meus olhos abrem-se às boas novas
Que circundam estas marés
E nesta lavra semeiam-se os gérmens
Que rebentam dos novos céus

As correntes que vazaram dos rios
Encontram-se a jusante dos caminhos que se abrem a outros sóis
E o luar amacia as noites das encostas
A lua renasce os paraísos perdidos das areias do deserto
Partem em busca de outros sonhos de mil cores

Tornados à Nascente

Um nada que se define no azul dos céus
Propaga-se no além
Retorna com a intensidade dos mares
E nesta agitação não se sente a força das ondas

A solidão abre um novo caminho no vazio
E a passagem dá guarida a novos ventos ancestrais
De lá ouvem-se vozes esquecidas dos tempos
Surgem com as novas tempestades

Voltaram a erguer-se nos tumultos colossais
Sobrevoam já os cumes mais altos das serras
Às escuras não se encontram novas eras
Arrastam com elas a terra de mil sóis

Subtilezas da Alma

Tb Publicado em:
http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=52508
Sou num glossário
Dos sonhos
Subtilezas da alma
Emergindo do oceano
Onda a teus pés
Um mar de emoções

Inalo-te…bálsamo
Terminal de odores
Culminar de um desejo
Num só sopro
E expando este amor, indolor
De mim para mim

Elevo-me a ti
Afundo-me na breve
Excitação de um abraço
Profundo maremoto de sensações
Que se encostam ao silêncio
Do meu corpo

Este eco…antigo paradigma
Ímpeto num duplo pulsar
Estímulos aguçam-me
A plenitude do sentir
Esta afeição
De mim para mim

Silencio de Nós

Um rio quente de lágrimas
Que escorrem no meu corpo
E o céu pincelado das cores
Que o sol deixou
Volta-se para nós

E os teus olhos clamam por nada

Um nada que é tudo
Onde existe o mar
Deitado na areia quente
De uma praia deserta
Onde sou eu e és tu

Em completo silêncio de nós

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

A Vista de Um Novo Mundo

A visão de um novo mundo está aqui e aí
Onde me lês e sentes
Ser o que sou em versos cantados
Ecos da fome ou só um nome
Em momentos sagrados

Presa nas trincheiras da saudade
Abraço a minha verdadeira história
Conto-te dos segredos confessos
Memórias isoladas
Cansaços e pequenos nadas

Se as cores do céu consagrarem as lágrimas
Que escorrem dos meus olhos
Sou ao lado de um nome
Paisagem abstracta
Com vistas para as novas descobertas do mundo

Por mim em tudo
Ser alma enquanto sente
Um nada onde tudo existe

Tb Publicado:
http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=58888

Mar de Emoções

Se o meu amor fosse um só caudal
Parava num ponto
Onde encontrasse um rio
Que corre para o mar

Os rios que correm nos meus olhos
São correntes mornas
Saciam as margens secas
Esta sede de ti em mim

Um corpo molhado
Abre-se a aromas de jasmim
São as flores que se perdem
Nos rios da saudade

Mas este amor já percorreu
Rios sem fim
Lá nas funduras dos mares
Jazem outros amores por mim

Clausura


Nestas paredes frias, encosto-me aos murmúrios do tempo. Os meus olhos fecham-se na penumbra da noite, não os vejo debruçar-se sobre a minha janela. Deste espaço, soltam-se os vultos que tomam conta de mim.
Agora que me escondo neste recanto escuro, alguém me quer nua, mas a minha nudez é una, e o meu corpo dança neste silêncio mórbido. A morte chega de mansinho enquanto durmo..É aí que me desligo deste complexo, desta rua deserta, deste frio que se esconde pelas quatro paredes frias do meu quarto.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Grito Da noite

Afunda-se em limiares sombrios
O brilho de uma lágrima triste enclausurada,
Sustenta os pilares que erguem as pontes instaladas no nada,
Despe-se no cio das húmidas madrugadas

Uma brisa ligeira despe-se na fertilidade do tempo
Chora! O coração numa prece anunciada,
Vagueia sem eira nem beira
Procurando o norte à passagem da aurora

Antevêem-se pirilampos dançantes,
luzindo, reflectindo o som de um silêncio mórbido,
Vazante de quimeras, alquimias e arlequins
Ecos agudos, adulteram as hastes engalanadas

Rezinga disfarçada nos atalhos e encruzilhadas
A dor ecoa adormecida num corrupio de malhas confinadas
Nos alpendres desventrados
E a noite dá um grito!

Acende-se na luz que adormece as covas fundas
dos portais da alvorada

Sinais Escritos na Palma da Mão

As portas do novo céu abrem-se só com uma mão
Aqui na imensidão deste vale
Onde me sento e espero…
Aqui e aí…
Desfraldam-se bandeiras num único sinal

As flores silvestres afagam-me o peito solto
Não as vejo, nem as consigo cheirar
Os pólens diversos pintam-me o magro rosto
Um grito às armas, mudo e colossal
Recolhe-se nas minhas mãos

Prolifera a fome…escarpou os mais altos cumes
O vermelho pó, cresce até à exaustão
E eu desconheço este longo silêncio
Cresce em espiral
Dali posso lançar-me num voo celestial

Não sinto dor,
Arregaço as mangas,
Esvazio os bolsos
Trago no olhar a fome
E nas mãos crescem-me nacos de pão

Marés de Sonho

Rendo-me ao teu encanto
E encontro-te nos olhares de mel
Danço nas ondas do teu mar
Entrego-te este sonho antes do nascer do sol

Sinto na força dos ventos
Os gritos perdidos das gaivotas
E eu deitada na areia molhada
Canto melodias aos temporais

Procuro o teu nome no azul do céu
Novas colorações apartam estes mares
E os meus olhos selam o negrume da fome
Carecem desta avidez de molhar os olhos teus

As marés adormecem junto ao cais
Acendem-se os faróis no alto mar
E eu fecho as portas ao sol
Amplio um abraço ao cair da noite
Afundo-me no vazio nocturno

Visto-me da cor dos céus
E tu avistas-me ao longe a galgar as dunas
Nem sabes quem eu sou
Viste-me em ondas de outros mares

Trago-te o suco avermelhado das rosas
Entorna-se nos teus lábios roxos
E sôfregos os lábios teus
Que conhecem as marés de outrora
Afundam-se nos lábios meus

Travessias do Tempo

Choro por ti em mim
Confio na demarcação deste sonho
Sou só um nome sem ruído de fundo

Entrego-me ao nu desejo indolor
Sitiado no calor da paixão
Cedo aos ais de um sopro quente

Verso as formas em folhas soltas
Traço os contornos num doce canto
Fixo-me na calmaria das palavras que se cruzam

Terno encanto solta lágrimas correntes
Enchentes de marés, vazantes de quimeras
Nos alaúdes entristecidos

Nas travessias do tempo
Mostro-me a multidões a descoberto
E só eu neste mundo que é mundo

A Arte do Encontro

Diz-me como voltar a sentir
Se já nem sei
Como desejar-te
Não me lembro de mim
Não sei de ti
Só quero adormecer no teu sorriso

Diz-me por onde anda este amor
Procuro-o e não o encontro
Os caminhos que percorro
Deixam-me tão cansada
Não sei como chegar a ti

Hoje vou dormir um sono leve
De olhos semi-abertos
Esperarei por ele
Como quem espera por destino incerto

Fala-me dos pingos de chuva
Que me acordam nas madrugadas
Da musica que ouço
Dos bailados entre portas
Sossegados...Extasiados

Fala-me do frio que se intromete
No meu leito quente
Os lençóis de seda
Escorregam no meu corpo
E tu amoleces os gestos
Calas as palavras…

Por Mim...

Por mim…
Suspendo o tempo
Varro as memórias
Da alma
E digo-te
Sim, porque sim

Viajo no teu silêncio
E sinto-te
Assim…
Rio que circundas
As margens
De mim

O sol aporta na lua
Focam-se as estrelas
Em mim…
É um gosto
Sentir-me na lua
Ser…antes do fim

Sede de Mim

A viagem findou!
Incomoda-me,
Quando tento ir mais longe
Do que a minha
Própria lonjura

Luz que se mostra disforme
A uniformidade está lá...
Vejo-a e não a toco
Sinto-a em mim
Distante...Presença afim ...

O inicio de tudo o que É
Sem o ser
O fim de tudo o que foi
No dever cumprido
Sentir a luminosidade
Que está para além
De mim e de ti
Em nós...por nós
A luz…

Desespero...
Não me vejo...não me sinto...
Tão longe que estás
Que nem sei já o que é ter sede
De mim...
Destes versos análogos
En(fim)
Quando só os sentidos
Brotam afins de mim
Por fim…

Perpétuo Adeus


A dança dos corpos
Viu-se na noite abandonada
Ficou um perpétuo adeus
No silêncio da madrugada

O enlace dos corpos
Despiu-se na face da lua
Voltou as costas à dor
Caminhou só pela rua

No Vale

Veste de branco o teu silêncio
Solta-te com o vento
E deixa um grito no alto

Absorve os aromas doces
Que descem sobre a encosta
E colhe um nevoeiro casto

Despe-te de ausências
E nutre-me da suavidade clara
Dos teus olhos soltos

Solta-te nas horas tristes
E absorve as luas cheias
Que se afincam em noites longas

Envolve-me nessa nuvem leve
Que sobrevoa o vale
E ouve-me no teu silêncio!