quinta-feira, 7 de setembro de 2017

ÔNIX - Poema: A luz

Prefiro-te

Prefiro-te um espaço aberto 
ainda que na futilidade 
de um verso 
em cima
ou em baixo 
com ou sem rima
tanto faz

Sabes que me apraz
ser-te fidedigna
ainda que na má sorte
até à minha morte

Prefiro-te clamor 
....à estrutura mediática
trancada 
nos labirintos de um corredor
sem fala

Prefiro-te um olhar inconsequente 
...ao estrabismo
de um povo
que mata os poemas 
nas vidraças ainda fechadas

Prefiro-te a escorreres-te 
sobre a minha pele 
tal ponta de um aparo
a clamar pelos ventos 
contrários…
os de cima 
e os debaixo do corpo da virgem

Prefiro-te crivo 
da minha vontade
ainda com raízes verdes
deitadas nas eiras

Prefiro-te ao invés dos pensamentos 
onde se afundam mares 
com poemas ali enterrados
depois de estrangulados
pelas mãos do poeta

Prefiro-te um corpo castigado
pelo desejo de se masturbar
diante do céu...
em pontas 
com as plantas dos pés 
sobre os seus pecados

Dolores Marques