terça-feira, 29 de novembro de 2016

Não sei como imaginar
o vazio de um lugar… 
vazio...

Pensar sequer nesse longínquo espaço
onde o pensamento é coagido 
a permanecer à sombra 
depois traído 
quando por força do pensar
cuspido fora dos olhos

Não me surpreende esse frenético olhar
quando me toca
como um simples ruído
indecifrável…
até no silêncio 
por não pensar em coisa alguma
ou então em algo semelhante
ao vazio do espaço
que permita imaginar-me
perto ou longe

Não lastimo a falta de o não o ter
é como se fizesse parte 
da sua ausência 
da imaginação daquele pensar abstracto

Não queira saber onde me encontrar
porque somente me sei 
sem me saber presente

(Às vezes a ausência é eternamente
o espaço físico da morte
nunca antes anunciada)

Pois que nem a morte me sabe 
nem me interessa 
saber se ela existe
ou se no limite, sou…
o pensamento 
antes 
ou depois dela
por causa de pensar
que penso
a imaginar-me dentro dela

ÔNIX

quinta-feira, 29 de setembro de 2016

Um leitor ao livro "Simbioses Montemuranas", Alberto Moreira ferreira

As opiniões sobre o que escrevemos, de pessoas que admiramos. são sempre um afago na nossa alma, além de nos ajudarem a melhorar. 
Mais um leitor, ao livro “Simbioses Montemuranas” de Dolores Marques.

Alberto Moreira Ferreira, Poeta.

Fiquei de dar-te a minha opinião sobre o teu livro e, pronto... já o li. Primeiro, e entre aspas, devo dizer-te que já não pegava num livro para ler há algum tempo. Por isso até estou meio admirado comigo, meio, meio chega!
Adorei ler "Simbioses Montemuranas". Durante a leitura fui muitas vezes assaltado por imagens saídas das palavras que me remetem para o período do meu crescimento, que também se deu num lugar de gentes do campo, onde o mato, as terras de cultivo e baldios eram paisagens constantes. Foi a que tivemos durante muitos anos naquele lugar, hoje bastante mudado, quase irreconhecível. 
Dei particular atenção à história do João Ladrão, um “ladrão” que a vida fez com algum carácter. Naquele tempo ainda tinham algum carácter, é verdade! Achei curioso porque ele roubava sobretudo a quem tinha, e além de ajudar um ou outro lá da terra, também não retirava aos que de alguma forma o ajudavam. 
Naquela altura, e mesmo hoje em dia, a vida pode ser muito mas muito dura. Pois... por vezes o berço também não ajuda... enfim.
Adorei rever palavras da época, ainda utilizadas nalguns locais, digamos rurais, como almude... o meu avô pedia sempre um quartilho de tinto. rs. O livro tem uma linguagem fluente, penso que bem conseguida, fluente, algo poética e agradável, bem ao estilo da minha amiga.
Este livro deu-me também a conhecer um pouco mais de ti. Tem fotos maravilhosas. Eu que sou uma pessoa de outra geração, criada entre o campo e a cidade, meio metropolitano, tenho uma

admiração por imagens daquelas épocas.
Depois, há algo de misterioso naquelas terras... portuguesas.
Sabes que eu critico muito o meu país mas amo-o. Enfim, continuamos a ter um país sem cabeça, e ainda por cima tem um coração que o f….desculpa.
Quero dar-te os parabéns esperando que nos contemples com mais obras, mais livros... ah... quase me esquecia dos poemas que o “Simbioses Montemuranas” tem, maravilhosos. 

Obrigado Dolores.
Um abraço

Alberto Moreira Ferreira