sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

O meu olhar
é tudo o que sinto
nos lugares 
da distância 
outrora perto

(Tão próximo do sol
dos teus olhos)

O meu olhar 
também és Tu
nos lugares
da presença
outrora longe

(Tão próximo do Sol
a poente na tua boca)

Sabe que sou 
o Amor
e trago comigo
aventuras nossas 
de um crepúsculo
omisso ainda
nos nossos corpos

O meu olhar 
são aqueles momentos 
subtis
no espaço onde te sinto
dentro e fora
nascente ou poente
perto ou longe
tanto faz…

ÔNIX/DM

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

O canto das aves


Ainda agora assisti à melhor cena deste início de ano. Um pássaro bebé a aprender a voar. Voava rasteiro, tímido, mas sem medo.
A Primavera anda a avisar com bastante antecedência desta vez. Tenho até noites em claro, porque os pássaros cantam sem parar junto à minha janela. E são muitas as aves que assim se mostram ousadas criaturas na noite. Eu, ainda assim, esforço-me para dormir, mas o canto nocturno é mais forte do que a minha vontade de fechar os olhos e a boca, e até o corpo. Às tantas, até me parece que também eu canto por dentro.
Gosto mesmo disto...da Primavera a ameaçar-me com míticos cânticos nocturnos.
E eu gosto muito de todos, mas deixem as vossas janelas abertas da próxima vez, para a sublime existência de nós todos no canto das aves.

ONIX/DM

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Temo os dias

Nus

Quando nem a Alma 
os reconhece
sempre que a dor 
corta em dois, o círculo
onde soletraram 
na palidez das horas
desesperadamente 
a palavra.....
“A-M-O(-TE)”

Quando nem a Alma 
lhes concede 
o dom de amar
se não se souberem 
nus…na linguagem 
única do Amor

DM

Lugares


Tão longa é a noite…
e curta a distância entre dois lugares...

- Num lugar bem fundo, onde o pensamento se distrai com algumas palavras jogadas pela janela.
- Um povoado, onde só os olhos se somem, nesse espaço onde colocas as mãos, tão longe e tão perto do corpo a sumir-se por ti adentro.
Só a chegada da Primavera que nunca se distrai na minha boca, por ora fechada.

Dolores Marques

sábado, 4 de fevereiro de 2017

O Todo



Era como se tudo fosse uma corda de brincar, e ao saltarmos juntos, ficávamos sem querer presos aos nós que convergiam para o centro. 
Mas não, não éramos nós que saltávamos à corda. Com aqueles nós todos? Era talvez a possibilidade de podermos ser juntos, um nó cego, enquanto outros se divertiam na penumbra, jogando à cabra cega, para nos confundirem no meio de tantos nós por desatar.

Segui caminho sem pedras para atirar à água. Gostava de poder voltar a brincar com as pedrinhas atiradas aos poços fundos de água. Lembro-me de as ver a saltitar quando cortavam as águas ao de leve como se fossem bolas de ping-pong a dançar por entre as nossas mãos.

Agora já nem esse jogo sem jogar. Experimentei o Snooker, mas as bolas pesadas demais, não me davam a sensação do jogo em acção. Sabes como é, partir e não voltar ao mesmo espaço, muito menos cenário confundido com cenas inventadas à pressa, só pelo prazer de jogar.

E agora, como se tudo tivesse sido um mero contratempo, onde o jogo só cabe nas mãos de quem sabe jogar, eu brinco contigo num jogo imaginado de pedrinhas soltas que atiramos um e outro ao ar, enquanto os nossos olhos se perdem no mesmo instante em que cada um de nós já se perdeu um num outro.
Era como se tudo fosse uma corda de brincar, e ao saltarmos juntos, ficávamos sem querer presos aos nós que convergiam para o centro. 

ÔNIX "O Todo"


sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

O Todo


Tenho….nem sei quantas formas esculturais no meu Ser, ao ponto de nem me saber a existir.
Tenho-Te, em mim ...Todo, e para sempre, na existência vertical de um modo único de Ser.
DM