quinta-feira, 7 de setembro de 2017

ÔNIX - Poema: A luz

Prefiro-te

Prefiro-te um espaço aberto 
ainda que na futilidade 
de um verso 
em cima
ou em baixo 
com ou sem rima
tanto faz

Sabes que me apraz
ser-te fidedigna
ainda que na má sorte
até à minha morte

Prefiro-te clamor 
....à estrutura mediática
trancada 
nos labirintos de um corredor
sem fala

Prefiro-te um olhar inconsequente 
...ao estrabismo
de um povo
que mata os poemas 
nas vidraças ainda fechadas

Prefiro-te a escorreres-te 
sobre a minha pele 
tal ponta de um aparo
a clamar pelos ventos 
contrários…
os de cima 
e os debaixo do corpo da virgem

Prefiro-te crivo 
da minha vontade
ainda com raízes verdes
deitadas nas eiras

Prefiro-te ao invés dos pensamentos 
onde se afundam mares 
com poemas ali enterrados
depois de estrangulados
pelas mãos do poeta

Prefiro-te um corpo castigado
pelo desejo de se masturbar
diante do céu...
em pontas 
com as plantas dos pés 
sobre os seus pecados

Dolores Marques

segunda-feira, 10 de julho de 2017

Só Mínguas de Sonhos


Amortalhar os sonhos abertos
Aos momentos guardados 
Por tempos indefinidos
É não tentar por um só dia reescrevê-los
Seres viventes nas memórias de uma vida

Saber de uma forma abstracta
Nestes paralelismos
Quando nos exilamos do mundo
É darmos vida a outras vidas
Perpetuarmos os nossos corpos
No além vidas e reeditá-los num espaço
Que se enquadre num novo tempo

Vivo ainda para te dizer
De um marco da nossa história
Que marcou a nossa presença no infinito
Mas não guardei na memória
Os caminhos que me fizeram seguir viagem
E estou aqui numa prece inigualável
Fechada dentro de um aquário dourado
Mas vazio por dentro

(Só minguas de sonhos
Que se transformaram em elos equidistantes)

Poderás ali, saber de todas as almas
Que me pediram guarida
E se deitaram comigo
Mas já todos os amores caíram
Porque me perdi neste labirinto
E me deitei num leito de águas pardas

Mas, se quiseres
Poderás visualizar as cores que eu inventei
Só para nós…

Resplandecentes, agora, no além
Um imaginário desfocado e ensandecido 
Por todos os momentos que perdi
Quando atingi o novo arco-íris
E nada vi…

ÔNIX/DM

quarta-feira, 7 de junho de 2017

Tictac

Ouvia o tic-tac do pêndulo 
no relógio quebrado 
escutava-lhe as lamúrias do tempo 
num tempo passado

Ouvia-o sempre antes de dormir
escutava o tempo no estrebuchar 
do pêndulo do relógio antigo
num tic-tac que se balançava 
ao canto da sala

E a janela fechada 
E a porta trancada
E o relógio quebrado
E o tempo parado

E eu, ainda colada aos sons do vento
porém calada, engolia os impulsos do tic-tac
nas ladainhas surdas de um relógio quebrado

E eu, malfadada pelo som das rajadas do vento
cujos prantos se avultavam
pelos cantos todos da casa

O vento serenava
mas o pêndulo ensaiava os sons irrequietos
ao canto da sala
enquanto o meu corpo se desengonçava 
e os meus olhos fungavam
espelhados num esgar lento
sobre as vidraças da janela fechada

A noite, sentida ante o lacrimejar 
do tempo despejado na janela
levava-me secretamente 
pelo espaço, agora sem tempo

ONIX

segunda-feira, 5 de junho de 2017

Linguagem dos sentidos


A queda de água corria pelo teu corpo, mas tu, tal esfinge adormecida na montanha, não sentias, nem vias, mas ainda assim a água abria novos caminhos por dentro do teu sono.
E o sonho admoestado pelas gotas pecaminosas que te saíam boca afora, sorria para ti como se fosses um deus anestesiado pelo tempo.

Apesar dos caminhos percorridos, apesar do tempo, tudo me parece tão perto, como se tudo tivesse parado, como se não existisse tempo...nem nada...só um sentir cá dentro a vida num êxtase.
O sentir só existe...é sublime! Visões e sentimentos são como o fogo. Ou consomem o Ser, ou revitalizam a consciência para um estado elevado do conhecimento de Si.
E, como sabes, a comunicação está cada vez mais próxima do seu real objectivo. As palavras, já não nos servem. 
Advertem-se todos os dicionários para a sua desintegração do espaço onde os dedos, se somem na procura da melhor palavra, do seu maior significado.
Advertem-se os dedos todos que não precisam mais chegarem aos lábios a sua pele ressequida. 
Decifrem portanto, a excelsa comunicação que nasce no interior de uma áurea, e leiam ali  os símbolos presentes, desenhados pela linguagem da alma. A comunicação do futuro é uma incógnita presente carregada de simbologia como súbita aparição do novo nascimento das palavras não escritas. 
Advertem-se os conhecedores dos verbos todos, que do futuro chegarão os seus últimos versos para um só poema com um único Verbo. E a palavra Poeta, elevar-se-á como se tudo fosse um só poema no novo dicionário em branco onde colaram os dedos, os olhos e a boca. 
O evento já começou, mas ainda existe sem tempo, sem espaço e sem hora marcada. O maior evento ainda a tentar soltar-se junto aos sons colados no céu-da-boca.

A cada dia que passa, mais um pequeno ranger das tábuas da tampa da caixa de pandora. A cada momento que se vive, só mais um pequeno rasgo do véu, que nos cegou enquanto não se abria a pequena caixa. Mas, quando de lá se soltarem todos os parentescos ainda sob o efeito da anestesia ocular, tudo será como um breve e fluido voo pelos nossos sentidos, à volta do corpo todo.

A cada dia que passa, a luz é mais luz na nossa vontade de seguirmos viagem. Uma viagem interminável a ouvir os sons e tentar decifrar códigos da noite, para um dia sem manchas na memória.

Suportar o peso da indiferença, quando a mesma vem camuflada de uma presença fora de tempo, é como viajar rumo ao desconhecido. Chegados lá, todo o peso é suportado por uma dose elevada de calor humano, que ainda faz furor nas partes mais densas do corpo. Esquece o ego que te alimenta. Nutre o que faz alimentar o teu ego. Nutre-o de elevadíssimos cantos pelo corpo todo. Sabes que quando o Amor se eleva, tudo é leve dando a sensação da não presença, porque simplesmente nos parece que nos deslocamos à velocidade da luz para todos os lugares do mundo, onde só já somos Luz.

Sabes que há correntes nas mãos dadas que nem sempre representam a sua real força, quando quebrada abruptamente por um fio desagregado da nascente.
Por isso, e do mesmo modo, as energias fluem em vários sentidos de uma mesma corrente, contudo, umas, para o fortalecimento desta, outras para o engrandecimento de um pequeno círculo com nutrientes nocivos ao desenvolvimento da verdadeira corrente.

Sabes que a linguagem mais próxima das sombras, é a do renegado, na sua falsa intenção não assumida. A falsa intenção que se apresenta como bom amigo da linguagem que se move nas sombras.
E como sabes, uma visão apocalíptica dentro de um contexto poético, é sempre uma visão apocalíptica, quando o Poema, se constrói à força, e o Poeta não conhece as suas limitações: nem as do corpo, nem as da Alma, e,  nem as humanamente possíveis para a sua evolução, ainda que inserido num contexto metafórico. 

Acordar para a liberdade poética...é preciso, para que do Poeta, se soltem lampejos de memórias...e que se limite, aos seus limites.
(Poeta...que é feito da tua liberdade para que sejas antes demais, poesia em todos os poros da tua pele?)

Sabes, tenho tudo em aberto num tempo parado. Tenho receio de me ir, sem saber comunicar...só através de um aparo leve que te escreva a linguagem dos sentidos.
Sabes, este meu sentido inverso às palavras todas, é um tempo sem lei, é o tempo dos anseios da alma escritos em tempo algum, ou em qualquer espaço exilado onde os dedos dancem numa folha de papel.

Enquanto tu dormes e eu sonho, o que existe são caminhos abertos fora dos corpos, e a viagem é a mais curta de que há memória do que resta nos corpos ainda adormecidos.

Habitas-me no espaço onde as aves gritam, como se fosse ali o seu único Céu
Vivo e Amo este sentir-Te em todos os lugares. Podes arrumar-me no lugar de sempre?

ONIX/DM

sexta-feira, 2 de junho de 2017

Cogitações

Estava aqui a pensar em nada e apeteceu-me pensar em Ti, como se fosses Tudo no meu pensamento. Depois de várias cogitações, o pensamento ganhou asas e voou nessa direcção. Porém, caiu num espaço vazio. 
Cansado de voar em círculos à volta dos teus olhos, sacudiu-se veementemente no caos que te enchia a boca, até que juntos se fizeram ao caminho, e, voaram céu adentro ao encontro da secular distância entre os dois.

dm

Realidades

Quando os meus passos cessarem, o meu corpo tombar e o meu pensamento não fizer a ponte entre os pontos centrais que me prendem aqui.
Quando não puder sentir com o corpo todo, a Alma a vibrar dentro de mim, e daqui me for, deixar-te-ei um pedaço meu. Um "Eu" dotado da capacidade de um Ser Real, ainda que viajando pelo espaço irreal, onde te sentaste à minha espera.
Quando se acabarem os caminhos e acontecer abruptamente a queda do meu corpo, deixarei aos mundos internos, a densidade atípica que me sustentou, e estarei à semelhança do meu verdadeiro "EU", na dimensão onde sempre estivemos, Tu e Eu.
A realidade nunca foi a real visão de um corpo que nasceu e morreu.

ONIX/DM

Vergonha

Verdadeiramente não sei quem és. Se o soubesse, não necessitava desta vontade de te conhecer. Mas, sei em verdade que És alguém no meio de uma multidão.
Quando depois do real conhecimento de ti, tudo é como fumaça que passa, num assombro de ondas multicolores pelo caminho da vergonha.
Assumo-a estampada no meu rosto descaído, por não ter conseguido, pelo menos, saber-te nesse movimento fechado.
Assumo-a inteira, a vergonha a esmurrar as paredes, por onde se desnudam fumos negros de todas as inverdades arrancadas a ferros das raízes secas das árvores.
Assumo, assumo-a como um todo , essa vil forma, o muro onde se desenharam as formas que nos fizeram parar no tempo.
Assumo-a agora, a vergonha, como única responsável pelas quedas das árvores, onde criámos raízes, e outras coisas que me pareciam serem fundos inéditos onde tudo medra e cresce em direcção ao ponto mais alto da nossa vontade.
Assumo-me inteiramente um pedaço desse ponto, ainda verde, até que mirre em todo o seu esplendor esta minha vontade de te saber por inteiro.
Continuo na senda do conhecimento de ti, até que cessem os meus passos e se dê por quieto o meu corpo.
dm

Muros

Nos muros do silêncio 
comunicam entre si, 
os estilhaços na garganta.

DM

História

Conta-me a história que nos juntou. Conta-ma mas de um outro modo, para que te saiba não só um ponto a separar as partes mais densas da história, mas o que existe nas entrelinhas, assim como na sequência das mesmas.
Conta-me sobre os caminhos construídos. Conta-me que foram todos pensados pelo Amor, tal como por Ele sentidos até ao início da história que nos juntou. Conta-me!!!

ÔNIX

Céu

Habitas-me no espaço onde as aves gritam, 
como se fosse ali o seu único Céu. 

ONIX

Circulos

No círculo onde sempre te movimentas, sou o que sempre pensei ser, quando sonhasse e voasse à volta de Ti.
Nas linhas que desenhaste no meu corpo, está escrito o que nunca se lerá em qualquer livro.
O Poema que És, ser-me-á para todo o sempre no sentir tudo cá dentro.
Dita-me a última palavra que me seja a súmula de todas as coisas não escritas, mas sentidas à volta do mesmo circulo.

ÔNIX

Viajante

Imaginar um ponto final na minha história, e sentir que um dia serei “FIM”, é o mesmo que pensar na morte do Universo! Pois se me sentir um minúsculo fragmento desse mesmo Universo, assimilarei a minha viajem como uma infinita jornada, sentindo-me viajante pelo templo do Sol!

ÔNIX/DM

Portas da morte

O sonho é como um trampolim: em cima e em baixo, fora e dentro, numa dimensão, cuja memória se encontra num invólucro lacrado. O maior sonho, é aquele, cujo despertar da consciência dele mesmo, não existe nesta dimensão. 
Sonhar é simples! Basta imaginar! E imagina-se como se isso nos levasse aos melhores lugares do mundo.
Imaginar é fácil! Basta sonhar! E sonha-se como se o sonho nos conduzisse à sublimação do nosso “Ser tudo”, só porque se tem, ou a capacidade de sonhar, ou de imaginar.
Porém, o sono nem sempre aceita um sonho fora de portas. Depois, às portas da morte, sabemos onde nos irá levar o nosso maior sonho.

ÔNIX/DM

Correntes


As correntes nem sempre representam a sua real força, quando quebradas abruptamente por um fio condutor de más influências chegadas de um lugar onde os rios pararam, dando lugar a águas estagnadas. 
Por isso, e do mesmo modo, as energias fluem em vários sentidos de uma mesma corrente. Umas, para o fortalecimento desta, outras para o engrandecimento de um pequeno lago de nutrientes nocivos ao desenvolvimento da verdadeira corrente.

DM/ONIX

terça-feira, 30 de maio de 2017

Elementos primordiais do desejo



Água
Tinhas sede e não bebias. Mas, caminhavas descalço sobre a terra molhada.
A fonte secara-te na boca.
A fonte irrigara-te um desejo do corpo, um desejo de fomentares o crescimento dos teus actos, quando teorizavas os factos, de uma Era desconhecida.
Mas tinhas sede e não bebias da única fonte que brotava a céu aberto sobre a terra seca, árida e agreste, mutilada pelo teu corpo.
Um corpo que escolhia um copo vazio.
Um corpo que não sabia como encher a terra, nem mesmo quando a pisava, nem mesmo quando a escolhia para ser um resguardo das escoriações do corpo que bebia de um copo vazio, mas a transbordar de todos os elementos primordiais do desejo.

Terra
Desejavas que a terra se movesse à volta do teu corpo, mas, não sabias como descansar o corpo à volta dela.
Sabias de um caminho certo e corrias mundos, mas também vivias nos submundos que trancavam o teu próprio desejo a escorrer-se pelo corpo aberto da terra.
O inverso de um corpo vazio, como um copo fechado à fonte primordial do desejo, do Ser único a beber da única fonte que conhece.
Conhecias os prazeres da carne, como se fosses o corpo da terra, irrigado pela fonte primordial de um desejo fora do corpo, que descia quase sempre quando o céu se abria. Porém, no espaço aberto do céu, havia sombras do teu corpo ainda à espera do único desejo
– ser uno com o Todo, cuja fonte não mata só a sede dos desejos dos corpos, antes os purifica.

Fogo
Tinhas dentro do peito a chama que sempre ardeu na floresta virgem dos teus sonhos. Tinhas. mas não conhecias a dança dos elementos dentro e fora do corpo. Floresciam primaveras e não sentias, nem vias o avolumar das pétalas lilases, o crescimento verde dos caules, o esvoaçar dos pólens amarelos pelos teus olhos.
Não sabias acender o lume na lareira funda, porque a lenha não tinha tido tempo para secar, não tinha tido tempo de se resguardar de um inverno longo nos galhos quebrados das árvores. Só as folhas, as folhas que caíram no outono, ainda sabiam como se transformar em pétalas de todas as cores, de modo que a chama se acendesse em todas as fronteiras fechadas.

Ar
Depois das estações, todos os corpos são como um único copo a transbordar pelos olhos da primavera.
Não sabias da nascente que corria pelas raízes fundas da terra.
Não conhecias a aridez da terra que teu corpo consumia.
Não conhecias a chama que percorria a floresta virgem dos teus sonhos,
Sabias, porém, de um corpo que se fortalecia, como se fosse o corpo de deus a caminhar por ti acima.
E do céu chegavam pétalas douradas, como se o se sol se derramasse em chamas pelos corpos adormecidos.

ONIX/DM

quarta-feira, 24 de maio de 2017

O ponto exacto

Conhecem a lógica de um pensamento. Geometricamente, os traços que os definem, são-no por força dos cálculos errados com que se desenharam os olhos à volta do corpo.
Decoraram todas as ideologias, pelas quais se regem as várias partes designadas por ordenações da mente, mas não sabem exatamente do ponto onde plantaram a única semente, que os faz igualarem-se na dor e no Amor. 

Dolores Marques

Existir...ou....

Não existe maior solidão, do que suportar o peso da solidão do outro, quando sem pensar, não sente, e se deixa abater sobre um sentimento de ódio, vingança e revolta, cujos actos contracenam num cenário ilusório, onde se encontra a sua própria inexistência.
A verdadeira arte do pensar está em saber que se existe ainda que o pensamento seja uma fraude.

Dolores Marques

Tempo de memórias

Nada do que me resta me resta.
No final do caminho serão todos os momentos isentos de quaisquer semelhanças com o que fui. Tampouco saberei se os ganhos e perdas nesta vida me prendem de algum modo a algum momento ainda por viver.
No futuro estão as condições impostas por um passado, que eu nunca soube se o era, ou se porventura me limitava a caminhar por ali, sem querer saber o que se passava dentro do tempo.
E que tempo de memórias se arrastam ainda com os meus passos…que tempo este meu, de nem querer saber onde me escondi, quando o tempo sabotou todo este meu crer em tudo o que nunca vi, mas senti.

Dolores Marques

Sentidos

Nunca foi um prazer ler um livro meu.
Nunca o foi porque também nunca foi um sonho meu, escrever sobre os diversos sentidos, para que fossem lidos pelos despertos sentidos.
Por isso não escrevo o “belo”, ainda que digite as palavras que desenham as cores do Amor.
Por isso não escrevo o que quero! Escrevo o que terá que fazer algum sentido no mundo supostamente de cor rosa, para que se lembrem dos espinhos ali consentidos.
Por isso escrevo o que é inacessível ao encanto dos olhos…
Escrevo sim o mundo da discórdia, da ilusão, da razão e da não razão, do inconsciente mundo dos sentimentos vazios, da volúpia escondida entre os dedos
Escrevo os submundos!
Escrevo o que sem sentido, vai fazendo sentido na dimensão onde já todos os sentidos se organizam para a não escrita com as pontas dos dedos, mas com o despertar da consciência, sentida.
Escrevo os mundos desconhecidos, os de antes, e os após as orgias dos sentidos todos!
Os versos magros, os poemas gordos, os dias marcados para a chegada do maior evento onde não serão mais necessárias palavras para definir o verdadeiro sentido da vida editada em qualquer livro de memórias.

Dolores Marques

"Eus"

Os vários “eus” quando alheados de si mesmos cumprem a sentença do verdadeiro EU fragmentado. 
Nas várias encenações, todos comunicam entre si, porém nem todos sobrevivem à catástrofe do “não eu”.
No cenário desfeito, há a decadência em série de uma sequência de imagens desfocadas, mas com o propósito de alcançarem juntos a dimensão do Ser Uno. 
Os vários “eus” gozam então a plenitude do "não ser", quando finalmente São.

Dolores Marques

segunda-feira, 22 de maio de 2017

Imagens


Quando se está numa digestão antiga, tudo se dissipa numa sequência imprópria de imagens com vultos sobrepostos.
A melhor digestão é com o estômago vazio, a mente limpa e o coração em batimentos regulares.
O tempo a romper os abismos da loucura!!!
Loucos são todos os segundos que não encontram as horas certas para uma loucura desenfreada pelo círculo fechado de um relógio.
A loucura vibra no coração e não em mentes carregadas de flagelos.
Perfilar tudo!
Não deixar que a luz se intrometa em lugares fora de tempo, para não se ficar às escuras.
Iniciar o voo livre nas asas de uma borboleta, antes que a teoria do caos se abata sobre ela.


ONIX/DM

quarta-feira, 17 de maio de 2017

Era um ritual antigo!


Era um ritual antigo!

Um ritual que me fazia acomodar o corpo
sempre que a Alma se demorava 
no tempo da Primavera

E a Primavera era sempre Primavera
eu é que não o sabia 
quando o Inverno descia 
aos sobressaltos 
arrastando um Outono 
do dourado tempo dos fenos

Era um Ritual de todos os tempos!
Um Ritual que cabia inteiro 
nos meus olhos de menina 
a desenharem novas estações
no encorpado sonho das nuvens

E o corpo era sempre um corpo
eu é que não o sabia
porque me confundia com o Ritual 
da última Estrela 
no lugar mais fundo da noite
onde sempre te imaginava

Éramos a dança dos elementos
um ritual de todos os tempos

Dolores Marques

Tudo é poesia

Quando na lura
se escondem os sentimentos
tudo é sentido no canto escuro
dos olhos

Agora que chegaram todos
lá do fundo
e os mundos arrumados
na viagem incompleta

Agora que te sinto vida
no corpo de um livro amarelecido
e os mundos inacabados
no tempo do Sol
acabado de me chegar às mãos

Quando os olhos deixam os fundos
tudo é natural e belo
como se tivéssemos acabado de nascer
uns para os outros

Agora que todos
descansarão as palavras
até que surja um novo movimento
a renascer no seu corpo poético
tudo é Poesia nos olhos abertos
ao inacessível mundo 
dos prantos encobertos

Dolores Marques.
Foto na Serra do Montemuro.

terça-feira, 9 de maio de 2017

Árvore da Vida

Não me coloco em posição alguma que me deixe com a sensação de estar um passo à frente ou um passo atrás. Sou simplesmente Eu, com um caminho a percorrer somente com os meus curtos passos.
A cópia de mim incita-me neste longo e árduo trajecto. Guia-me por certo, por lugares de há muito, esquecidos. 
Estranho este modo inverso à minha pele, mas vou sem medo….vou!

É talvez o sonho do outro lado. 

A margem que sempre me colocou à margem do tempo, não é senão um ponto de encontro dos muitos que não conheço, mas que sei da sua existência quando os sonho e me levam, como se eu deixasse de ser cópia de mim, e passasse a ser originalmente o meu verdadeiro Eu, no sentido mãos lato do tempo, o qual, deixa nesse preciso instante de o ser. 

E eu como sempre, escondo os olhos, invento um novo corpo, e abandono-me ao sonho que sempre me falou em sonhos outros, de um fado do outro lado do mundo. 

Do outro lado, a visão ainda que desfocada sabe de um corpo abandonado, mas nunca ao acaso pela ordem do tempo. 
Do outro lado, o corpo resguarda-se numa dimensão inexistente nos olhos, até porque a terceira visão não precisa da ocupação do tempo, sequer dos espaços. Simplesmente é a origem de tudo o que jaz esquecido no corpo:
- as funções
- as disfunções
- as teorias escritas com a pena de um anjo nos livros
- a leitura às avessas do mesmo livro, onde todos escrevemos em tempos, o acordo entre os vários momentos vividos e os ainda por viver, através do pensamento.
- o prazer por nos sabermos a Amar, mesmo sem conhecermos essa poderosa força do Universo.
- o prazer por nos sabermos a aceitar os prazeres do corpo, sem sabermos em que parte do nosso Eu, tem origem esse mesmo prazer.
- os orgasmos todos em vida e na morte, quando nos sabemos a ascender a mundos.
- os costumes de um certo movimento que se avizinha sempre que dormimos.
- as raízes que nos cingem ao mundo terreno, dentro de uma certa categoria de árvores da vida.
…e tudo o que sabemos existir mas cujo medo nos faz esconder-nos até do nosso pensamento, invertido nos espaços e no tempo.
 E por isso a dúvida de quem somos, dentro de uma certa liberdade ainda às vésperas do Tudo, neste imenso TODO!

ÔNIX (pseudónimo de Dolores Marques)


segunda-feira, 10 de abril de 2017

Taça

Enquanto não chegas, sou um espaço incólume na taça vazia,

Todo o seu corpo cheio me basta.
Todo o céu que traz me sacia.
Todo esse rio de água límpida me purifica.
Todo o seu pranto é como se derramasse sobre mim, todas as lágrimas do mundo.

Sou talvez um corpo em chamas por dentro da taça.
Sou, porventura um sujeito, sem corpo...
Um corpo sem sujeito, na sua trajectória.
Espírito errante na noite que se demora.
Sou um pensamento na geometria ainda fechada.
Um círculo que se abateu sobre a desgraça        .
Um movimento descuidado na praça.

Sou a inversão da lua sobre a cidade.
Sou o seu reflexo a emergir do fundo das águas.
Sou a noite que nunca se afunda num sono.
Sou um sonho, cuja porta ainda se encontra entreaberta.
Sou um brilho opaco de um cristal nocturno.
Mas, sou insaciável, num espaço vazio de uma taça.

Sou um corpo arrefecido, quando nada me enche por dentro.
Sou um pensamento irreflectido, contido num espaço sem espaço.

Se um rio por mim corresse.
Se fosse a ínfima partícula de uma das suas correntes nos meus olhos.
Uma só gota dessa taça e eu seria o mar,
Uma única onda desse mar e eu seria um rio.
Uma só corrente desse rio permitia-me um estado de pureza no espaço vazio da taça.

Uma e outra noite ainda à espera de uma fonte que brote fios de água dum estado ausente.
Nem um fragmento dessa partícula permite que seja.
Esquece quem sou, porque lhe sou?
Abandona-me quando se encontra no meu pensamento?

Porque me toma como se eu fosse a hóstia de todos os tempos?
Lembra-se de todas as formas ausentes, quando em mim pensa!

Porque me sujeita a ser o Todo no seu corpo?
Sequer me sente!
Tão pouco me ouve quando desço sobre si, o fogo!

E agora nem em partes, me vê.
E agora nem em somas, se acrescenta.
E agora nem tudo é mais e nem menos. Simplesmente o vazio.
Agora tudo é a divisão dos tempos
Como se tudo fosse uma invasão.
Como se tudo voltasse a ser como dantes.
Como se tudo fosse uma só lágrima da Taça…e toda ela fosse um Todo.

Porque me sacia com ou sem um corpo cheio.
Porque só uma pequena gota dessa lágrima que se verte na Taça, me basta.
..............

ÔNIX/DM

quinta-feira, 30 de março de 2017

Correntes


correntes novas
resgatadas pela suave candura
de um sorriso...

uma boca quente
apaixonante
em completo desvario
suga todas as pétalas
que sobrevoam
um olhar atento

Há um pensar alheio 
Ao curso dos rios 



quarta-feira, 22 de março de 2017

O Amor Primeiro





Leve na sua liberdade como se não houvesse nunca um amanhã para vestir um corpo.
Simples na sua, até, melancolia...
É o Amor a brotar em cada flor, ainda que seja nos espinhos de todas as rosas dos jardins.

Sublevação na incessante ondulação dos mares, é o Amor.
Imaginado no sublime e inexpressivo cair da noite...
É o Amor num sono abençoado por amor a um Sonho.
Livre na sua sensibilidade, como se não houvesse tempo para contar, nem para escrever, ou para se vender pelo seu primeiro Amor;
- ao fogo que arde,
- à agua que limpa e purifica,
- à terra que se abre em partos de dor,
- ao ar que inspira seja cedo ou tarde, na ínfima loucura de um amor simples, num simples e secreto desejo de um  Amor.

Liberto do fardo dos elementos, segue para aclamar o tempo, nunca para nele se resguardar.

O Amor primeiro a nascer nas flores silvestres.
O amor primeiro a cantar no dourado do trigo.
O amor primeiro a dançar nas eiras.
O Amor primeiro a criar laços. Gigante na fruição de um abraço.
O Amor primeiro a gritar loucuras nos olhos dos amantes.
O Amor primeiro a crescer nos corpos tenros das árvores.
O Amor primeiro a saborear os primeiros frutos.
O Amor primeiro a subir os pinheiros mais altos.
O Amor primeiro a espreitar os ninhos.
O Amor primeiro a escrever as mais belas cartas de um certo amor.
O Amor primeiro nas folias entre os lençóis.

…e de sempre o Amor primeiro na lúcida embriaguez de um Rio,  sem saber dos astros que o seguem rumo ao indefinido posto.

O Amor de sempre a cair do céu, com a chuva, e a neve, os raios e os trovões, as desenfreadas ventanias, o Sol e as estrelas, as fases da lua que são como um beijo da cor do mel, a quebrar o gelo esquecido nos corpos.

….e as primeiras águas agora aos nossos pés, um amor dócil de todas as marés cheias.

E de sempre, tal como as estações, um Amor livre, como se o amanhã fosse sempre um novo Amor, o primeiro na loucura de um relógio, que gira a par dos ponteiros, sem parar para pensar no seu primeiro Amor.

ONIX/DM

sexta-feira, 17 de março de 2017

À Procura


À procura da clara luz
Que me leve ao centro
Do teu olhar

Um olhar cativo
Dos olhos meus
Um olhar mirando
Os feitos teus

À procura de um sonho
Que me siga
Nus encontros 
Contingentes nus
Criando imagens
No cais

À procura de uma miragem
Onde estás
Nu embaraço
Onde o partir
É só o chegar
A ti....Nus...
Os reflexos terminais


DM

quinta-feira, 16 de março de 2017

Salpicos

Gosto de saber que estás 
no mais alto dos sonhos
que te afundas por aí abaixo 
chegas até mim...
devagar…

(Que o teu sonho me cubra 
por inteiro)

Preenche com a cor violeta 
o negro dos meus olhos
que me sejas em todos 
os tons primaveris
um pedaço de terra
ainda por lavrar

Não esqueças um abraço
ainda suspenso no tempo
do verde das heras
que na Era do fogo
tu és chama acutilante
nos meus olhos

Agora, que tenho 
o nunca antes pensado
por ter na ordem dos dias
um pensamento desabrigado
simples espelho na noite

Agora que sou um pouco
de rio esquecido nas margens 
já o mar se achega
e me toma do seu jeito

(Trôpego é esse mar 
agora em salpicos leves
no meu peito)

Agora que te imagino
no alto do meu pensamento
Tu …chega-te a mim, manso 
e leve como um fio de linho
ainda em flor, a saltitar 
no corpo do vento

ONIX

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

O meu olhar
é tudo o que sinto
nos lugares 
da distância 
outrora perto

(Tão próximo do sol
dos teus olhos)

O meu olhar 
também és Tu
nos lugares
da presença
outrora longe

(Tão próximo do Sol
a poente na tua boca)

Sabe que sou 
o Amor
e trago comigo
aventuras nossas 
de um crepúsculo
omisso ainda
nos nossos corpos

O meu olhar 
são aqueles momentos 
subtis
no espaço onde te sinto
dentro e fora
nascente ou poente
perto ou longe
tanto faz…

ÔNIX/DM

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

O canto das aves


Ainda agora assisti à melhor cena deste início de ano. Um pássaro bebé a aprender a voar. Voava rasteiro, tímido, mas sem medo.
A Primavera anda a avisar com bastante antecedência desta vez. Tenho até noites em claro, porque os pássaros cantam sem parar junto à minha janela. E são muitas as aves que assim se mostram ousadas criaturas na noite. Eu, ainda assim, esforço-me para dormir, mas o canto nocturno é mais forte do que a minha vontade de fechar os olhos e a boca, e até o corpo. Às tantas, até me parece que também eu canto por dentro.
Gosto mesmo disto...da Primavera a ameaçar-me com míticos cânticos nocturnos.
E eu gosto muito de todos, mas deixem as vossas janelas abertas da próxima vez, para a sublime existência de nós todos no canto das aves.

ONIX/DM

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Temo os dias

Nus

Quando nem a Alma 
os reconhece
sempre que a dor 
corta em dois, o círculo
onde soletraram 
na palidez das horas
desesperadamente 
a palavra.....
“A-M-O(-TE)”

Quando nem a Alma 
lhes concede 
o dom de amar
se não se souberem 
nus…na linguagem 
única do Amor

DM

Lugares


Tão longa é a noite…
e curta a distância entre dois lugares...

- Num lugar bem fundo, onde o pensamento se distrai com algumas palavras jogadas pela janela.
- Um povoado, onde só os olhos se somem, nesse espaço onde colocas as mãos, tão longe e tão perto do corpo a sumir-se por ti adentro.
Só a chegada da Primavera que nunca se distrai na minha boca, por ora fechada.

Dolores Marques

sábado, 4 de fevereiro de 2017

O Todo



Era como se tudo fosse uma corda de brincar, e ao saltarmos juntos, ficávamos sem querer presos aos nós que convergiam para o centro. 
Mas não, não éramos nós que saltávamos à corda. Com aqueles nós todos? Era talvez a possibilidade de podermos ser juntos, um nó cego, enquanto outros se divertiam na penumbra, jogando à cabra cega, para nos confundirem no meio de tantos nós por desatar.

Segui caminho sem pedras para atirar à água. Gostava de poder voltar a brincar com as pedrinhas atiradas aos poços fundos de água. Lembro-me de as ver a saltitar quando cortavam as águas ao de leve como se fossem bolas de ping-pong a dançar por entre as nossas mãos.

Agora já nem esse jogo sem jogar. Experimentei o Snooker, mas as bolas pesadas demais, não me davam a sensação do jogo em acção. Sabes como é, partir e não voltar ao mesmo espaço, muito menos cenário confundido com cenas inventadas à pressa, só pelo prazer de jogar.

E agora, como se tudo tivesse sido um mero contratempo, onde o jogo só cabe nas mãos de quem sabe jogar, eu brinco contigo num jogo imaginado de pedrinhas soltas que atiramos um e outro ao ar, enquanto os nossos olhos se perdem no mesmo instante em que cada um de nós já se perdeu um num outro.
Era como se tudo fosse uma corda de brincar, e ao saltarmos juntos, ficávamos sem querer presos aos nós que convergiam para o centro. 

ÔNIX "O Todo"


sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

O Todo


Tenho….nem sei quantas formas esculturais no meu Ser, ao ponto de nem me saber a existir.
Tenho-Te, em mim ...Todo, e para sempre, na existência vertical de um modo único de Ser.
DM

With love



Um dia com AMOR
é um dia bom
mesmo que não se tenha por perto 
um Amor

DM

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Quando o vento cisma



Quando o vento cisma, eu durmo. Às vezes sonho,
mas nem sempre o sonho tem as cores das insónias
que comigo ateimam, como se fossem donas 
de uma candeia acesa
no meu quarto com janelas abertas para o Tejo.

Quando por fim renego tudo aquilo
como forma de me redimir das noites gastas nos meus olhos
o vento, tal brisa ainda escondida nos meus cabelos
faz-me cair em mim….e então acordo

(O sono poupa-me a certos dissabores
que é quando penso, 
e tudo cai em cima do meu corpo deitado)

Nem sempre o pensamento se ajeita 
num corpo estendido, e, então, 
quando a cisma do vento insiste 
num rodopio por cima das minhas pestanas
eu sopro o medo de um pensar desabrigado
e, então, intuo…

Intuo sobre a minha condição 
de ser somente um pensamento ancorado
e caio por ali abaixo. Deixo-me embalar por ele 
até que o dia comece, e o vento pare com o ranger 
das portas e das janelas, 
que são por ora pertença minha
e do Tejo.

ÔNIX/DM

Olhar



Quando as meninas dos olhos se escondem, é porque o olhar se quedou ao nascimento do Sol por dentro das inúmeras contagens das horas.
Quando à noite os olhos se abrem para parirem o dia, é porque sabem que a volumetria existente aceitou uma ordem inversa do tempo, ao olhar.
DM

Frio deserto



A pular de pedra em pedra
A saltar de galho em galho
A procurar caminhos novos

Mas os passos incertos
Face à dúbia convicção 
De um horizonte
Por dentro dos olhos

A linha recta é o obejctivo
No tracejado do céu
Que o tempo apagou

Tão longe e tão perto 
Dos espaços vazios
O frio deserto 
Nas mãos abertas

Agora, agitado é o corpo
Quando o verdadeiro sentido
Lhe mostra um relógio quebrado

E pensa, e age, e balança-se
Como se fosse um pêndulo
Da nova Era

Porém o que encontra 
São heras...os nobres 
Pensamentos a sair 
Do covil dos lobos

E rasteja, e abre-se à nova flora
Virgem, tão virgem 
Quanto uma lágrima, quando 
Profanada pelos deuses todos

DM

Um olhando... o outro sentindo


Dizias-me que o olhar
Reflete a serenidade das coisas habituais
Dizia-te que o olhar
É o reflexo de todas as coisas inabituais
E assim ficamos:
Um olhando
O outro sentindo
Todas as coisas
E todas as coisas nos pareciam anormais
Até ao ponto em que fixamos os dois 
O mesmo ponto

Dolores Marques - 2013

Entrem em mim



Não façam chorar as flores do meu jardim....
Se quiserem entrar num rio de lágrimas
Entrem em mim.

DM

Apressa-te




Apressa-te que a vida é já ali ao virar da esquina. 
Afunda os medos e as desventuras. 
Faz dos braços remos, do corpo caravela e vai...vai...
Mas volta.

DM