quinta-feira, 1 de abril de 2010

O Tudo e o Nada em Movimentos Circunspectos


Imagino-me por aí
Fermentação do pão através de uma simples oração
Fecundando os céus
Louvando aos Deuses a tua passagem negra e triste
Acendendo a sagrada obliquidade
E invertendo o brilho da esfera que a circunda
*
Encontro-me por aqui
Consumida por mil cores que me desfloraram
Enquanto miragem pura e simples na continuidade de um mundo que já não é meu
*
(Imaginei-me sempre nos braços teus... caídos
Em jeito de me alcançar breve
Muito breve foi a minha passagem)
*
Tão breve, que me suspendi na atmosfera, livre de qualquer movimento circunspecto

*
Mas tu, leve por tão leve seres
Não me viste sob a perplexidade do teu olhar difuso
Ameaçador de um tempo nosso
Que me deixei cair de bruços… Simulacro de outras imagens
Esperando em vão que me ouvisses num choro quente, calmo
Li-qui-di-fi-can-do a carne e oxidando as correntes
Que me cunhavam o peito quando te via passar por entre os meus braços
E a morrer nas longínquas paragens
*
Serei outra
Serei eu
Serei tudo o que quiseres, num abraço solto
Daqueles muito teus que me serviram de ponte até à outra margem
Onde fiquei a morar no eterno que me tem desde que o mundo se foi
*
E porque ter-te um momento no tempo que passou, é:
Tão quente
Tão forte
Tão teu
Tão meu
Tão nosso
Que me vejo ir por não querer ficar nesse teu mundo que me abandonou
*
Dormentes, enlaçamos casualmente as mãos até ao fim que nos aclamou:
Firmes na leveza de um mesmo tempo circunscrito
Miserável de predicados meus
*
(Saí de cima de mim
Fixei-me em ti por me sentir tão frágil
Tão levemente assinalável no teu colo)
*
E assim…
Deixei de ser menos eu
Menos tu
Menos nós
Num tempo que se anulou e não distinguiu os movimentos cinzelados pelo medo
Demarcando para sempre um tempo incerto, longe de um todo memorável
E a terra foi revisitada de calor, de frio de gestos num movimento circular
E de tudo o que o amor inventou, para nosso bem maior
*
Foi a extensão de um momento inexacto que nos aproximou
E que se quebrou

4 comentários:

Octavio da Cunha disse...

Sublime!
Beijo.

Sonia Schmorantz disse...

Páscoa...
É ser capaz de mudar, 
É partilhar a vida na esperança, 
É lutar para vencer toda sorte de sofrimento.
É ajudar mais gente a ser gente, 
É viver em constante libertação, 
É crer na vida que vence a morte.
É dizer sim ao amor e à vida, 
É investir na fraternidade, 
É lutar por um mundo melhor, 
É vivenciar a solidariedade.
É renascimento, é recomeço, 
É uma nova chance para melhorarmos 
as coisas que não gostamos em nós, 
Para sermos mais felizes por conhecermos 
a nós mesmos mais um pouquinho. 
É vermos que hoje...
somos melhores do que fomos ontem.
Feliz Páscoa!
Um abraço

continuando assim... disse...

estamos perto do final... se final houver.
o capítulo 18, é o último capítulo do livro
quem já leu o "Continuando assim...", sabe como termina o livro.
A todos vocês que têm andado por aqui pacientemente , lanço o desafio prometido .
Antes de publicar o último capítulo , gostava que me dissessem como gostariam de terminar esta história de Alice e André.
Podem publicar os "vossos finais" nos comentários ou mandar directamente para o mail
queirozteresam@gmail.com
Irei postar aqui todos os finais possíveis , todos os "vossos finais" :)
Estou quase certa que algum de vós encontra o final perfeito.
está lançado o desafio, para já espero as vossas respostas
um grande beijo a todos !!

Teresa

ClarisseS disse...

Olá Dolores,

Indiquei o seu blog para receber o "prémio Dardos". Vejo no meu blog.
Beijinhos Luz, hoje e sempre!
Clarisse