segunda-feira, 6 de junho de 2011

Ir ao fundo

….. nem a luminosidade do dia me faz enxergar para lá deste espaço fechado.


Tenho os olhos em bico e a boca com freios.


È necessário saber andar no escuro e ir ao fundo de todos os fundos

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Serena

(Escultura Ricardo Kersting)



Serena e dotada de um sonho
Que já foi meu
Fui acabar
Sem decifrar
Este mistério
Onde apoio os braços
E descanso a cabeça

Tenho mas não sei
Onde guardei
Todos os sonhos
Que me fazem ainda respirar

Flores Silvestres



(foto; D.M.)


indiferentes os campos
vêm nascer as papoilas
já mortas
nas memórias traçadas
pelo vento
acostumado a viver
sem Norte
sem chão

indiferentes os traços
caem vivos
na minha face
e dispersam-se
no meu corpo moribundo
boicotando as cores
da terra seca
que antecedem os Invernos
dos meus olhos

Olhares

(Esculturas: Ricardo Kersting)




há sempre uma visão nova

mediante um olhar novo que vê a coisa…



mas se essa mesma coisa

se dissipar na incerteza

nada será como dantes

em que se trocavam olhares

na esperança de alcançar

o verdadeiro mundo



dar-te-ei a mão

se ma pedires

dir-te-ei de mim

se mo consentires

serei sempre a mudança

acabada de nascer

no olhar

que queira ser mais

do que uma simples

coação do momento

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Canais



(Imagem Google)



Hoje o pensamento não passa de uma fonte de rendimento às causas mais obsoletas dos vários tipos de linguagem. Satisfaço-me por completo quando durmo. Enquanto isso, não me canso a tentar ocupar um espaço, que por si só, já comunica com os vários estados diferenciados, onde assenta os seus ideais.

(Melhor deixá-lo em paz, esse canal exequível e transmissível de bactérias nocivas ao meu poder intelectual).

Por tudo o que me passou hoje pela cabeça, encontrei a forma mas ajustável ao meio ambiente onde vivo, já que o pensar obstruiu todos os meus canais interiores e exteriores, e até se fez caminho para que ao Norte vá chegando e com o Sul me vá sustentando. Imagino-me sempre a correr de um lado para o outro, mas este peso que me ocupa parte do imaginário é já uma continuação de um pensamento abstracto a querer alcançar a lógica que escapa à verdade de um raciocínio ímpar, e ao mesmo tempo esperançoso na vivencia em paralelo com o mundo que o criou. Esse é um mundo à parte, quando me identifico com os medos de sofrer por não poder pensar em nada, a não ser na minha linguagem inexpressiva de hoje.

Este corpo a querer fornecer novas atitudes perante a decadência de um lugar inóspito, sempre que se deita à espera por novas investidas de um sonho, onde o pensamento não passa de simples embuste a deixar pegadas num solo infértil. Pudesse eu saber onde vou sempre que o meu corpo aguarda por novos ajustes ao meio, e seria a metade na procura da outra metade, onde o pensar é só um caminho para chegar ao centro onde reside a minha vontade.

(Criei um corpo novo! De que adianta saber-me dona de corpos estranhos que não sabem como percorrer as várias entranhas, enquanto permaneço acordada sempre que sonho?)

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Indiferença




Longos são os dias
Numa cidade indiferente
Esfarrapada e negra…

A poeira acumulada
Sobre o brilho acorrentado
Dos jardins floridos,
Ou dos cais apodrecidos
Desfaz-se na noite
Ao som das flautas roucas
Ou de concertinas tortas

Tristes são as noites
Sem a clareza dos dias
Geladas são as noites
E as manhãs tardias



Do livro "Olhares" em 2008

terça-feira, 31 de maio de 2011

Silêncio e alma



Se a minha voz

Não se ouvir

Por consequência

D’inspirações

Doutas

Divinais

Que se faça

Silêncio e alma

No meu corpo

E andarilho

Nas vozes todas

Que conheço

Enquanto a vida

Me chama

E a chama clama

Por mais