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terça-feira, 12 de junho de 2012

Lenda inacabda


caiem-lhe faíscas nos olhos
são negras
vestidas para a noite lendária
a beliscá-lo por dentro

dançam
e rodopiam
num frenesim
incorpóreo
adentro do meu mar
acetinado
rendilhado
e
remendado
até à última noite


segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Conciliação





nada mais há
para além
do meu ângulo de visão
a não ser
um vale silencioso
conciliando a minha vontade
de poder acontecer
em várias formas
e fazer-me a voos predestinados
nas minhas memórias

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Em Silêncio







se eu pudesse

dir-te-ia

das pálidas noites

onde guardo

todos os meus segredos
*


dos contos escritos

nas paredes

onde meus olhos

rabiscam todas as palavras


*

um grito…

até ao silêncio

onde moras

para que me diga

o que ainda resta de nós

*

Escultura: Ricardo Kersting

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Flores Silvestres



(foto; D.M.)


indiferentes os campos
vêm nascer as papoilas
já mortas
nas memórias traçadas
pelo vento
acostumado a viver
sem Norte
sem chão

indiferentes os traços
caem vivos
na minha face
e dispersam-se
no meu corpo moribundo
boicotando as cores
da terra seca
que antecedem os Invernos
dos meus olhos

segunda-feira, 7 de março de 2011

Acreditar



aproxima-se
um vento forte
tão forte
como a força
dos teus braços
quando lhe pegaste
no colo

tem a mesma grandeza
de um olhar nado e criado
no teu seio

era um tempo de verdade
na harmonia
que davas ao aconchego
do teu peito
e acreditavas
nos sinais encontrados
nas partículas da noite