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quinta-feira, 22 de março de 2012

Infinitamente



(Foto: D.M)

Onde queres que vá contigo?
Ao fundo do poço? Não posso! Posso sim amparar-te a queda e assegurar-me que não cairemos os dois
Ignorante!
Não sabes, que não há asas que amparem o voo entre quatro paredes?

A água estagnou lá em baixo!

O resultado da queda será um amontoado de esperanças vãs, sem a consciência de que a água é a tonificação para todos os males, mas não aqueles de que sofres. Esses serão sempre o teu habitat, serão o que quiseres menos a tua consciência em águas profundas a nadar sem braços nem pernas.

Seguro-te mas planamos os dois! Tu serás a ave, e eu, as asas de um condor que voa o último voo até atingir um novo horizonte.

Se de horizontes falo, falo-te sempre de novos. Uns são a sequência de outros. O meu horizonte é o limite até atingir novos limites, infinitamente para lá.


sexta-feira, 3 de junho de 2011

Olhares

(Esculturas: Ricardo Kersting)




há sempre uma visão nova

mediante um olhar novo que vê a coisa…



mas se essa mesma coisa

se dissipar na incerteza

nada será como dantes

em que se trocavam olhares

na esperança de alcançar

o verdadeiro mundo



dar-te-ei a mão

se ma pedires

dir-te-ei de mim

se mo consentires

serei sempre a mudança

acabada de nascer

no olhar

que queira ser mais

do que uma simples

coação do momento

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Conta-gotas


Há contagens precisas num dia de conta gotas. Se quiserem podem até ir pedir para a porta da igreja. O que não lhes garanto é que estarei lá para as acolher no seu propósito de simples contadores de histórias.


Benditos os justos valores que sabem crer num dia de chuva e bebem gota a gota o que lhes resta…

sábado, 2 de outubro de 2010

...tinha fome


(tela de Paula Rego)

Se soubessem como ficaram os meus olhos, de tanto tentarem absorver todas as letras que queriam à força formar palavras para acasalarem mesmo ali à frente do meu nariz.

Fiquei sem nariz!

Olhei em volta e só via gente, gente que se queria alimentar. Mordi-me toda, rui as unhas, depois chupei a carne dos dedos ainda tenra. Fiquei com a boca cheia de vermes, que de tanto tentarem afastar a mistura de compostos orgânicos, perderam-se neles.

Mordi-me toda. Se soubessem como ficou a minha boca depois de tudo o que saiu das pontas dos meus dedos.

Mas eu tinha fome, muita fome antes de chegar.

Ler mais: http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=152662#ixzz11DITUBXJ