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terça-feira, 26 de julho de 2011

Do outro lado do mundo

(escultura; Ricardo Kersting)


Nem sei quantos anos

Por mim passaram

Ou quantos deixei passar

Porque me deitei na terra húmida

E simplesmente me deliciei

Nas suas extravagâncias

Enquanto menina

A deixar crescer as ervas tenras

E assim fiquei

À espera de uma lufada de ar

Que me levasse ao encontro

Dos rios perdidos

Do outro lado do mundo

Onde as idades são carimbos

Nos meus olhos

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Abandono




(Esculturas; Ricardo Kersting)




Não sei onde me perco
Quando me levanto do chão
E vou sem saber o caminho
Que me irá trazer de volta

Esqueço as horas que passo
A tentar erguer-me de novo
Para te mostrar que há vida
A germinar no meu corpo

Onde deixei os olhos
E porque não agarro o sonho
Que me fará chegar a tempo
De conseguir um novo destino ?

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Serena

(Escultura Ricardo Kersting)



Serena e dotada de um sonho
Que já foi meu
Fui acabar
Sem decifrar
Este mistério
Onde apoio os braços
E descanso a cabeça

Tenho mas não sei
Onde guardei
Todos os sonhos
Que me fazem ainda respirar

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Ideias





Humanizar simplesmente…actuar em torno das ideias que se afogam num rio de lágrimas, quando já nada resta a não ser um canto escuro do olho para desenformar matizes sólidas que se lançam em torno de uma ideia brilhante.



Gosto de pensar, que não tenho idade sequer para pensar em me querer crente em “humanóides”, espécies que se julgam crentes numa força maior que não conhecem. Há olhares que se encontram a escalar montanhas e nunca chegam a atingir o céu. São um centro interiormente recatado onde se encontram forças bélicas a desmembrar as nuvens e a deixar um rastro de crendice alheia até à sua própria vontade de ser uma ideia.

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Viagem





Permissivamente...

ausente das figurações abstractas que me cercam e me tentam imobilizar num chão de pedra.




Cansada mas já distante dos habituais acordes onde o pensamento faz mossa.



Desobstruir canais permissivos, a forma mais habitual de seguir viagem, sem me despedir.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Sombra II


Se tivesse que te guardar nas minhas memórias, elas seriam um espaço sem fundo, onde se guardam todas as vontades de não se traírem os gestos nem os bons costumes. Se soubesse que te esconderias debaixo de um espaço inédito, onde se misturam as palavras que compõem um mostruário antigo de todas as leis em vigor, teria feito das nossas noites a própria Lei em acção. Deixarias de ser "plágio" da tua própria sombra...


Final do caminho...! Onde vais agora, sombra que te esmaga contra os muros negros, onde guardas todos os sonhos que te falta escrever?

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Caos

(Imagem Google)

*

Sair rumo ao tempo em que me deixava simplesmente ficar na desorganização de um espaço fechado.

*


Ficar lá, até que um novo movimento se mostre a tempo de não cair na desordem do caos.

*

Manter-me de pé até ao cair da noite e sair a tempo de não me misturar na ordem imposta pelo pensamento invertido.

*

- esse ponto em cruz que não sabe onde mora o Deus que o fez Homem, e onde reside o homem que o fez Deus.

*

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Fome


Essa fome, irá deixar-te um dia de boca aberta à espera de algo que estabeleça uma ligação directa às partes baixas.


…Há baixios assim a morrer de fome

quinta-feira, 31 de março de 2011

Sombras


Há dias que apetece seguir a minha própria sombra, outros caminhar na sua direcção sem lhe ver as fuças, por tão cadavérica ser…


- um molde inexpressivo, um atentado à verdadeira forma humana.

terça-feira, 29 de março de 2011

Orvalhos

(Foto; DM)

*


As cores que brotam

Dos reflexos dos meus olhos

Distam dos rios e dos mares

*

São sussurros quentes

Orvalhadas matinais

E um sorriso caído

Nas pétalas brancas

Onde os meus olhos

Se escondem

E remedeiam as dores

De um parto antigo

segunda-feira, 7 de março de 2011

Silencios

Se a minha voz silenciosa, nada te diz, então ouve-me através do eco do meu silêncio, na tua voz. Põe-te a jeito de o decifrares nos registos todos que deixas à tua passagem. Mas, não deixes nunca de me ouvir.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Pontos luminosos

(foto D.M; Luminescências)


Passou de relance por entre os círculos de fumo que expirei lentamente. A sua pele escura e o seu jeito de andar, balançando o corpo, fizeram-me lembrar os rituais à volta de um fogo ardente, onde os corpos se submetem aos ritos tribais do passado.

Os seus olhos, pontos luminosos a saírem da órbita dos meios círculos traçados pelo fumo saído da minha boca semi-aberta. Trazia neles o mundo inteiro a dobrar-se sobre os meus ombros. Eu acolhi-o sem uma palavra que lhe dissesse que há mundos por descobrir nos meus olhos cor de chumbo.
Olhou-me e disse simplesmente: “boa tarde”. Eu respondi timidamente: “Boa tarde” ao que ele me devolveu: “bom descanso”.

Sorri e pensei, que este final de tarde, talvez me tenha dado uma ideia para conseguir acabar de fumar este maldito cigarro, apagando-o, e voltar aos pontos luminosos de uns olhos quase a quebrar as linhas impostas pelo meu pensamento. Este é um recanto de uma cidade fria. Dormita no silêncio de um dia e desperta para uma noite em branco.

No entanto, sabe-se que há olhares que não se esquecem de dizer “boa tarde”; “bom descanso”, e ela, a cidade ainda me consome.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

De caras

(Foto; Outono, junto ao rio Tejo)


Com a aragem húmida a lamber-me a face...encontrei-me com a solidão de todas as ruas.

De caras com novos viajantes num Universo composto de novas fragrâncias...talvez

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

ET


E que tal criar uma imagem nova, a pensar nas imagens de banda desenhada do futuro?


Talvez assim os nossos olhos fomentassem uma aproximação dos objectos não identificáveis....até à data


Rostos sem cara



A Cimeira astá a transformar esta cidade, numa cidade fantasma.


As ruas praticamente desertas, os carros circulam em zigue-zague, e o rio até espelhou as marcas, que se preparam, para estratégicamente, cairem em cima de todos os rostos sem cara..

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Espaço


Continuo com muita vontade de continuar a pertencer à classe dos marginais do espaço, alienados que são por todos os benfazejos da terra, que largam a pele na terra e comem pirilampos no escuro