"Deus não é um conceito muito filosófico, é este mundo visto através dos olhos de uma criança" (OSHO)
segunda-feira, 18 de abril de 2016
domingo, 17 de abril de 2016
Simbioses Montemuranas o novo livro de Dolores Marques
Para adquirir o livro, poderá entrar em contacto com a autora através do mail: doloresmarques@gmail.com
quarta-feira, 6 de abril de 2016
Simbioses Montemuranas o próximo livro de Dolores Marques

Simbioses Montemuranas” o próximo livro de Dolores Marques. Lançamento dia 16 de Abril às 16 horas no Club Literário e Bar, Chiado Editora. Forum Tivoli, Av.Liberdade
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Simbioses Montemuranas de Dolores Marques é uma viagem através do tempo e do espaço, aos lugares da nascente, do berço, numa cadência milenar de estações que se alternam e transformam ao ritmo de sois e de luas, as vidas da gente, sediadas num templo rude e agreste, banhadas por rio que as transforma em rituais de aculturação e religiosidade.
Será através das experiencias de vida, das vivencias marcadamente vincadas no quotidiano da narradora - Dolores Marques- e do personagem principal, João Fernandes, que a vida, os usos e os costumes, as migrações, e a adaptação aos ritmos de um outro espaço, vivido pela aculturação provocada pela mudança de lugar, que todo o livro se vai desenvolver. Num discurso, por vezes descritivo, por vezes intimista, numa linguagem que se mistura ente a prosa e o lirismo, com analepses e prolepses, a ruralidade e a vida citadina são aqui narrados, em imagens e símbolos descritivos que nos aproximam das gentes e do seu saber ancestral.
São as vivencias do personagem principal, João Fernandes, figura presente nas historias do povo de Montemuro, não se sabe bem o quanto destas histórias são verídicas, ou se já se metamorfosearam em mito, em lenda, de tanto serem repetidas, mas que na realidade acabam por ser um legado das vivências duras e agrestes das gentes da serra. A serra, com os seus condicionantes físicos e geográficos, a mostrar as dificuldades da ruralidade e do distanciamento de um povo.
São também as vivencias da narradora, Dolores Marques, a vida na serra e na cidade, a força da natureza, o legado familiar, a organização das histórias contadas à lareira, a força da oralidade a vingar na passagem do tempo e na força das palavras, Dolores Marques, a usar a linguagem escrita, ferramenta indispensável na continuidade da memória de um povo e no seu legado cultural.
Este é um livro, que para alem de contar histórias de pessoas reais, que habitaram num determinado espaço geográfico, e num tempo definido, é também um livro de forte caracter sociológico.
Nele, podemos encontrar a profunda dicotomia entre a serra e a cidade, as alterações quer a nível cultural, quer a nível arquitetónico de uma cidade que se esgotou no tempo e nas alterações movidas pelo crescimento populacional e económico. Podemos também interiorizar, essa ligação profunda às raízes, entre o passado, o presente e o futuro, são as gentes, as suas ações, as suas palavras, escritas ou faladas, que marcam um povo e a sua diversidade.
São Gonçalves
Luxemburgo, 30 de Novembro 2015
sexta-feira, 25 de março de 2016
Rumores
Ouço rumores quem vêm da muralha
Mas eu confesso-me em desespero
Por não saber que a última mortalha
É de linho, ou pano cru em puro zelo
Há uma cancela semiaberta
Há um retoque na minha entrada
Há um acto que me desperta
Há a última relíquia ali encontrada
Tomara ver uma só janela
Que me abrisse à luz que é tua
E me vestisse dos trajes de outrora
Quisera ver uma imensa estrela
Que me quisesse tão nua e sua
Que me levasse no tempo, sem hora
(Dolores Marques, Poemas de 2009)
quarta-feira, 23 de março de 2016
Crepúsculo
Será o teu Verso, voraz
do sentido terno da corrente
que se derrama sobre mim
quando te descrevo
e te sinto corrente poética
no meu corpo
quando o poema
se limita a discorrer
sobre um ponto limite
no crepúsculo da memória?
Será o teu poema
Um único verso
Onde acomodar
O último crepúsculo
Dos meus olhos?
terça-feira, 19 de janeiro de 2016
Ecos
Lá fora
no avesso do mundo
há um rio que deserta
mas chora num lugar
sem fundo
(A lua solta-se breve e costumeira
tal orgasmo do sol a colidir com a noite)
Enquanto se espera
pelo som abafado
das pingas grossas
nas vidraças
tudo é a graça
que por sua Divina Graça
une o céu com a terra
Na serra
ainda a lonjura
do tempo
se mantinha acesa
enquanto o sino
se balançava
irrequieto
por quanto o som
traiçoeiro
se adentrar pelas maiores dores
do mundo cá dentro
Por demais extenuantes
eram os seus ecos
vibração, paixão
talvez até comiseração
por um rio perdido
agora por mares tumultuosos
de obrigação
ou quiçá, pelos altares
onde se ajoelham
todos os Mestres
que trazem a bem aventurança
de todos os tempos
(Calados, frios e sombrios
são todos os tempos do mundo)
E ali
somente as águas paradas
recebiam as mãos abertas
para um todo
inseparavelmente cuidado
como se cuidam
todos os sonhos
quando navegam em águas brandas
até à chegada
das novas chuvas
para regarem os campos
Enquanto isso
o sino tocava às almas
e desprezava uma lágrima perdida
na imensidão do tempo
agora espelhada na pia de água benta
ÔNIX 2016
sexta-feira, 15 de janeiro de 2016
Cálice
Quando do céu me distanciei
há milénios
numa secular distância
entre medos e aflorações diversas
plena era a abundância
entre as folhagens verdes
com a nova dança dos ventos
Quando na terra me enraizei
e a Oriente se decidiu
que seria uma só voz
a concluir o enredo da história
de todos os que sabem onde mora
o Deus nosso conhecido
e nós nos sabíamos
a pertencer ao seu povo escolhido
Revigorados os campos
alinhados os bagos brancos
e cheios os olhos da imensa claridade
que chegava do cálice sagrado
sobre um rubro manto de verdade
Plena era a imagem reflectida nas mãos
de quantos os sentados à mesma mesa
a ouvirem as doze badaladas
no alto da torre
ÔNIX 2016
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