sábado, 22 de janeiro de 2011

Cores - Rosa (Reiki)


Gostava de poder transformar as cores, onde albergas um sentimento morto.
Talvez, quem sabe, onde guardas todas as emoções.

A cor rosa descobre-te um fundo amoroso e a cor verde cura-te de todos os males do mundo.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Sombras



- Cansei de estar sentada. Quero levantar-me e zarpar, sair, marcar um ponto no meio da estrada. Serei figura abstracta, mas tão exacta, que nenhum fogo irá reclamar, nenhum tempo me irá contornar os traços tão finos, que me hão-de encontrar sempre na ponta da linha, que traça de uma ponta a outra o fundo mar.

- Haveria de te conduzir pela pedraria, e de lá subiríamos tão alto que nenhum céu haveria de perguntar; de onde viemos, para onde vamos, quem fomos, quem seguimos, ou quem abandonámos. Ele que fique na terra a cismar, e a endireitar as sobras de gentes, dos crentes, dos fantasmas do passado, meras fisionomias que deixam por continuar todos os pontos acabados e por terminar.
- Já te esqueceste de um momento, só um, aquele que nos trouxe do fundo do mar. De lá víamos tudo reflectido, e se pudéssemos e quiséssemos, haveríamos de nos encontrar todos. Seriam aos magotes os remoinhos das gentes, das gentes que sofrem por não terem sede do céu e fome de algum destino marcado nas ondas do mar.
- Consigo ver-te nas sombras, sim nas sombras que deixaste ao relento, quando caíste na emboscada de todas as gargantas, e de todos os dedos a trinar nos fios de vento. São fios que esticam o canal dos desenganos e sofrem por não saberem que há gente, que a há aos molhos a afundar-se num mar de sonhos.
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Escultura - Ricardo Kersting

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Gatafunhos



Confusa
Demente
Descrente
Lágrima minha
Sem poente
Rola, rodopia
E não se conforma sozinha
Arrepia
E sofre
Sem norte
Por sorte
D’uma'lma minha

E é esteira
E é caleira
E é chuva miudinha a sarapintar as vidraças
Espelho trancando a noite
Dia clareando a sorte
E eu sou sonho
E levo comigo a desgraça
E sou chalaça
Sem alma
E sou garça no rio
No meu rio
E sou cio no mar
No teu mar
E fome no teu corpo
A esmagar-me
O baixo ventre
E sou mulher simplesmente
E sou gente
Gente que sente
Desacerto d’uma lágrima minha

E é somente
Um pingo de luar
A irrigar a plebe
Sortilégio d’um carisma sem graça
Dá-me a sua graça
E é a noite
Sem fundo
E é o dia soturno
E é o mundo
Sem mundo
E são olhos pardos
E lobos a descer da montanha
Uivos laicos
Desacertos no meu colo fechado
E acervos
E cardos
E giestas
E tojos
E rosmaninhos
Gatafunhos nos meus olhos

E são musgos
E ventos tardios nos socalcos
E talentos nos estios
E é a fome
É a fome
A estalar-me os ossos
E são esmolas
E estolas a aplaudir os chacais
E jornais funcionais
Nas mãos do pobres
Mendigos a acudir nos abrigos sepulcrais

E eu sou um magote a trote
Em busca de jóias raras, tão raras
E os meus olhos são malhas cismadas
Nos teus
E os teus são-me adornos baptismais

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Alma

(Foto DM; Luminescências)



Não posso sequer imaginar
que por não te poder tocar o corpo
te não possa tocar a alma...

Quero-te mais do que ontem
e mais do que todos os momentos
acontecidos e por acontecer

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Onde moram todos os silêncios

(Foto, Serra de Montemuro)




Não te encontro a romper o véu que separa o real do imaginário. Sempre que fecho os olhos e te procuro, acontece assim, como quem procura por si, e de per si, num momento onde se dão todos os encontros. Nas minhas mãos quentes está a verdade de uma corrente que me envolve o corpo, deita-me, e toma-me de um jeito tão seu, consola-me, deflora-me enquanto célula viva a explorar-me a alma, onde habitas. É lá que que te imagino, mãos abertas para um todo, onde o amor cresce e acontece num espaço que é tudo menos um fundo negro, por ser o fundo dos meus olhos.

Caminho só, e tão só como quem perdeu a visão do mundo. Voltei num tempo em que todas as árvores floriam, todos os rios cresciam, todos os amores permaneciam numa corrente parada. Mas, eu tão só como quem acorda do nada, sacudi os ventos e baixei ao nível de todas as montanhas, e trouxe um céu maior para se afundar no mar, e ir ao encontro da única esmeralda capaz de me dizer onde moram todos os silêncios. Fui e voltei sem saber onde me escondi enquanto os mares engoliam os olhares cismados, simplesmente arrastados pela única via possível – aquela onde as tuas mãos talham as insígnias que se encontram já a formar novas correntes no meu corpo. O passado é agora um novo acontecimento presente em todos os traços do meu corpo, cimentando os gestos numa contagem crescente de todos os pontos minúsculos. Será talvez um modo de me contrariar as formas. Os meus passos são firmes, mas os meus pés de chumbo esmagam as correntes migratórias que se prestam a adornar um altar com todas as pétalas em forma de estrelas que baixaram nas minhas mãos. Carrego um fardo pesado, e não sei onde encontrar a aura, espertina do meu sono de cor fina, tinta fresca em tons violeta, com que pintas o novo espaço.

Tu és o meu amor presente, tão presente agora como o serás para todo o sempre. Sejas quem fores, de onde fores ou de onde vieres, eu esperarei por ti e quero que saibas que o é, tal o feixe dourado do meu habitat natural. Não me sei longe, nem perto, não me sei agora, nem quando partirei o eixo que me sustém o corpo pela metade. Não te esqueças de mim, porque o meu olhar está próximo, sempre aí, enquanto permaneceres em mim. Sei de um sítio, um sítio belo onde estamos juntos e é lá que te procuro quando fecho os olhos. Será assim, de uma forma única, como única é a verdade que reside em mim desde que me fundi em ti, porque terei que te procurar aí no fundo dos meus olhos, onde mora a minha alma.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Pontas



Feri-me nas pontas dos dedos
Gestos afiados
A dilacerar a carne
Letras escusas
Em traços difusos
Vida corrente
Modorra quente
A desencantar à sorte
Um olhar feliz
Os ensaios finais
De um corpo lascado
Mente e tão-somente
Des(mente)
Que consente
Na finura dura
Calibres no meu corpo mole
Pedra dura
Nos meus pés de barro

Tão firmes as lascas
As pontas de xisto
A possuir-me a carne
A luminária imune

Nos meus traços nus
E os seus dedos crus

À Procura


À procura da clara luz
Que me leve ao centro
Do teu olhar
Um olhar cativo
Dos olhos meus
Um olhar mirando
Os feitos teus

À procura de um sonho
Que me siga
Nus encontros
Contingentes nus
Criando imagens
No cais

À procura de uma miragem
Onde estás
Nu embaraço
Onde o partir
É só o chegar
A ti
Nus...reflexos terminais