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terça-feira, 19 de abril de 2011

Força

- Há consciência do que se obtém de um verdadeiro combate, quando a força se vende por nada?

- Não tentes decifrar o que já o foi, ainda antes da verdadeira força se revelar. Os combates existem para que a força seja um elo de ligação entre o bem e o mal. Nem sempre os desaparecidos em combate, são os mais fracos. Há uma força que não se vê, mas que está lá, esperando o momento certo.

segunda-feira, 7 de março de 2011

Vozes

(Foto D.M.)


- Se a dor te dá um jeito novo de ser, então ela é a tua voz enquanto ser nas memórias que carregas. Diz-lhe de todos os tempos em que a dor se consumia nos seus lamentos.

- Há lamentos que são só um puro manifesto da dor. Devaneios por onde os rostos se escondem. Se quiseres podes contar os momentos todos em que me consumia por dentro dos teus sorrisos. Lembro-me que a tua boca era um fundo imaginário, onde descansava a minha voz e ela por tão clara ser, deixou de o ser num momento fechado onde habitam todos os teus silêncios.

- Imagina que me perdes, como se perdem as vozes todas em lamentos. Pensa em como se transforma a tua voz, sempre que me dizes de um tempo morto, onde se encontram todos os silêncios, e nada sabem de ecos e sorrisos a gastar-se em puro manifesto da dor.

- Quero chorar, num só grito. Quero que todos os sonhos me transformem e me digam de quando era só uma voz a cantar no deserto. Os homens são na periferia de um momento, um só momento, e nas lembranças uma soma de todos aqueles que as areias escoaram por não terem voz. Quero uma só voz num único lamento. Sei de mim e de ti, mas não sei de nós.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Sombras



- Cansei de estar sentada. Quero levantar-me e zarpar, sair, marcar um ponto no meio da estrada. Serei figura abstracta, mas tão exacta, que nenhum fogo irá reclamar, nenhum tempo me irá contornar os traços tão finos, que me hão-de encontrar sempre na ponta da linha, que traça de uma ponta a outra o fundo mar.

- Haveria de te conduzir pela pedraria, e de lá subiríamos tão alto que nenhum céu haveria de perguntar; de onde viemos, para onde vamos, quem fomos, quem seguimos, ou quem abandonámos. Ele que fique na terra a cismar, e a endireitar as sobras de gentes, dos crentes, dos fantasmas do passado, meras fisionomias que deixam por continuar todos os pontos acabados e por terminar.
- Já te esqueceste de um momento, só um, aquele que nos trouxe do fundo do mar. De lá víamos tudo reflectido, e se pudéssemos e quiséssemos, haveríamos de nos encontrar todos. Seriam aos magotes os remoinhos das gentes, das gentes que sofrem por não terem sede do céu e fome de algum destino marcado nas ondas do mar.
- Consigo ver-te nas sombras, sim nas sombras que deixaste ao relento, quando caíste na emboscada de todas as gargantas, e de todos os dedos a trinar nos fios de vento. São fios que esticam o canal dos desenganos e sofrem por não saberem que há gente, que a há aos molhos a afundar-se num mar de sonhos.
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Escultura - Ricardo Kersting

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Fogo

(Imagem -André Louro de Almeida)




- Contornando momentos perdidos na mobilidade de um movimento circunspecto a cair em desuso pelos canais dispersos na caixa do mundo, o meu corpo assume-se na vertente organizada pelas mãos de fogo.

- Traços nobres de uma face escondida na penumbra da noite, contrariando a cadência solta de quem sabe entrar por um único canal, e ser uma linguagem assertiva e se tornar gente sem se perder na boca do mundo.

- Assim como quem forma um circulo à volta do fogo que me consome toda. Este lento caminhar sobre a terra, único jeito de ser una nos terrenos áridos da vontade dos povos que me tomam sua.

- Imaginando, serei talvez um grito, que se forma no único ponto onde te escondes. Chegarei lá. Entretanto, fechei os olhos e libertei a mente para um único movimento dos olhos.