sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

O Centro

(foto: D.M.)

Quero o nada
Se esse nada
For somente
A inusitada presença
De um fogo quente
A tomar-me o centro
De um tudo que te dou
E me tiro enquanto nada
Que me sou

Este calafrio na espinha
Este energético centro
Acoplado ao movimento
Que dás aos traços
Que se formam
Nas palmas das minhas mãos

Este calor suado
Na inerte madrugada
Combustão na demanda do prazer
Jeito inato
Nascente de um único ponto
Que me quer toda
Porque sim

Este degrau solto
Acrescento da minha alma em chamas
Corpo que se esfuma
No centro da noite
Que me tome por inteiro
Nas sombras de Deus

Fases Lunares

( Foto D. M.)

se o meu ventre
se alimentasse das tuas mãos
sempre que te dispões a tê-lo
debaixo dos teus lençóis
seria num dia de sol
sem a lua por perto

sinto que no corpo da lua
há ramificações dispostas
a prender-te os movimentos
e imagino-te deitado sobre a terra
banhado pelo seu brilho nocturno
confundindo-te com os raios solares

não esqueças que te amo
desde a formação do mundo

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Onde andas?


(Foto; D.M.)
*

Por onde andas

que te perco

quando te vejo a correr ainda por entre o frio de Dezembro?

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

De caras

(Foto; Outono, junto ao rio Tejo)


Com a aragem húmida a lamber-me a face...encontrei-me com a solidão de todas as ruas.

De caras com novos viajantes num Universo composto de novas fragrâncias...talvez

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Deformações

Foto Rio Tejo, no cais

*
Lamento a fraca orientação dos meus olhos

a má formação dos meus dedos

e todo este composto orgânico

onde apoio o corpo

e desorganizo o espaço

Fez-se noite, fez-se dia

(Foto; Rio Tejo; Cais do Poço do Bispo)


Aconteceu, simplesmente;
num olhar tosco, desmaiado e decaído
…ignorei a decadência daquele lugar
e fez-se noite, fez-se dia, e lembranças somente
É agora o melhor sítio onde morar

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Madrugadas Claras

(foto; EU)

Viver, simplesmente...
e o corpo se ajeita, o pensamento se coaduna através de rituais sistémicos, desliga-se do invólucro que traz, sempre que há madrugadas claras e olhos postos no céu