Por vezes sou quem pensava não ser
Tenho dias que me sobram as horas
Tenho horas que me faltam os dias
Somos todos tão iguais, que às vezes
Me parece que o mundo não gira
E sempre que sigo pelo teu caminho
Me distancio cada vez mais de mim
(É um tempo sem limites
Irremediavelmente sem um único fim)
DM
"Deus não é um conceito muito filosófico, é este mundo visto através dos olhos de uma criança" (OSHO)
terça-feira, 19 de novembro de 2013
sexta-feira, 15 de novembro de 2013
Já é tempo
Lamenta-se o tempo e os movimentos contrários à volta dele. Enquanto isso, o sol esconde-se na linha do horizonte. Já é tempo de acontecerem noites de verdade aos nossos olhos e dias solarengos no nosso corpo. Já é tempo de nos concentrarmos nos momentos que marcam o presente, sossegam o passado e nos dão esperança no futuro.
E se nos juntássemos todos e derrubássemos as torres, contrariando a pontaria desenfreada dos ponteiros dos relógios?
Dolores Marques (Dakini)
E se nos juntássemos todos e derrubássemos as torres, contrariando a pontaria desenfreada dos ponteiros dos relógios?
Dolores Marques (Dakini)
Acontecer num sorriso
Adormecer sem um sorriso, é o mesmo que acordar, mas com vontade de voltar a dormir. Talvez a vontade de sorrir se manifeste no sono. Enquanto dormimos, pelo menos sorrimos, nem que seja para um sonho inesquecível. Sim, para que nos lembre de como é bom adormecer e acordar. Enfim acontecer num sorriso.
DM in Dakini (Eventos)
quinta-feira, 7 de novembro de 2013
Sozinhos
Não sei caminhar sozinha
Não sei falar sozinha
Não sei sorrir sozinha
Não sei calar-me sozinha
Sozinha, sentirei sempre um nó no estômago
Por tantas voltas e reviravoltas ao mesmo nó que nos ajuntou um dia
Porque sozinha, eu sou sem ser, estou sem saber estar
Vou sem saber voltar, ao encontro de ti
Que continuas por aí
A cortar curvas enredado em contracurvas
Mas também sozinho sem saberes onde me encontrar
Dolores Marques - ÔNIX 2013
Não sei falar sozinha
Não sei sorrir sozinha
Não sei calar-me sozinha
Sozinha, sentirei sempre um nó no estômago
Por tantas voltas e reviravoltas ao mesmo nó que nos ajuntou um dia
Porque sozinha, eu sou sem ser, estou sem saber estar
Vou sem saber voltar, ao encontro de ti
Que continuas por aí
A cortar curvas enredado em contracurvas
Mas também sozinho sem saberes onde me encontrar
Dolores Marques - ÔNIX 2013
sexta-feira, 25 de outubro de 2013
Dimensões VII – Fuga
E porque a vida me toma de assalto
Eu fujo
Entrego-me à solidão dos tempos
Num tempo meu, e encontro-me
Lá, onde o mar é azul
E as ondas são verdes
Lá, onde tudo morre
Aos meus olhos cor de prata
Lá, onde a dor é mais leve
Lá, onde o silêncio é um sol dourado
Ao cair da noite
Porque me quero ausente da terra
Faço do céu um novo caminho
Onde o azul é forte
E as estrelas meu norte
E minha sorte
E o sol me diz de mim
Quando ainda era uma criança
E em teu colo chorava
A dor da partida
Porque a minha ausência
Me traça um novo destino
Eu vou a par do teu fogo
E caminho contigo
Até ao fim do mundo
Deste mundo
Que tomo para nós
Num corpo são
E desesperadamente
Belo…o seu rumo
Trago-te um tempo de abraços
Uma cesta de beijos
Um regaço, ajustado a nós
E não me quero ir daqui
Sem me rir contigo
Quero um corpo onde me deitar
Uns olhos onde me afogar
Uma esteira onde me enrolar
Quando daqui me ausentar
Mas tenho medo da fuga
De me ir sem te encontrar
Quero fugir, mas não, sem antes
Me desocupar da desgraça que ocupo
Não, sem antes me consentir
Não, sem antes me desmentir
Não, sem antes me despedir daquilo que sou
Da minha realidade, quase, quase inacabada
No ar que respiro
Não sem antes me encontrar
Verdade na tua verdade
E acabar recomeçando
Por ti…Amor
Só por ti
E que a tua força
Me tome esta minha vontade
De fugir, fugir, e ficar
Lá onde o mar é azul
E as ondas são verdes
Dolores Marques - ÔNIX (A Voz do Silêncio)
sexta-feira, 11 de outubro de 2013
Novo movimento estrelar
Existem sempre outros mundos que são correntes em estado de abstração. Dá-lhes da tua cor! Servirá para renovares dentro de ti, os rios passados, transformados em lodos e lamaçais.
Ao fundo, há sempre outras ruas em outros mundos e um novo movimento estrelar.
quarta-feira, 9 de outubro de 2013
Já se aventuraram num passeio à cidade dos mortos?
Já se aventuraram num passeio à cidade dos mortos?
Completamente alucinados andam os vivos, com olhares cabisbaixos, a tentar descobrir na terra, a mesma terra, que irá receber um dia, algum resto de vida que lhes faça reviver os momentos mortos - aqueles que mataram em vida.
Querem agora resgatar todos eles, como forma de se redimirem dos pecados todos que cometeram.
Nas mãos levam flores de todas as cores. Será para conseguirem renascer mais primaveras, e com elas, as forças que baixaram, sem mesmo lhes ser perguntado se queriam terminar neste amontoado de lágrimas que vão irrigando, pedacinho a pedacinho, a terra? As árvores, algumas estrondosas, com os seus ramos gigantes tentam parar o vento.
As lágrimas caem como gotículas de orvalho pela manhã. São leves e brandas umas, grossas e violentas outras, que correm como levadas sulcando a vermelha face de quem não pregou olho para velar os mortos. Esta atmosfera que cobre a cidade dos moribundos, tem sempre algo de misterioso a rondar os corpos que vão caminhando em silêncio. Ouvem-se as pegadas de uns, e alguns rumores a tentar saltar fora da cidade onde os vivos respiram ainda sob esta atmosfera turva. O cheiro a terra, o cheiro a erva, o cheiro de todas as flores, fazem-me pensar no que virá depois, quando já não houver espaço para tantas vidas a cair por terra.
Dolores Marques - Dakini
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