Decidi esperar pela madrugada, quando ainda nada se movia nas ruas
Lá fora, ouvia-se um som leve de uma brisa miudinha
Restavam talvez as pétalas das últimas flores que ainda resistem na espera de um Outono morno
As correntes do Tejo, caladas e sufocadas
A espera é um grito, a causa dos aflitos
Lá dentro, ouvia-se um som calado
Restavam as paredes frias em contraste com um corpo quente
Era talvez a verdade nua e crua a desvendar mistérios na noite
Decidi que seria a minha noite, onde me dispo sempre sozinha
A manhã chega silenciosa e cega
Mordi a língua, senti secura na boca mas mesmo assim cantei baixinho
Um silêncio amordaçado que chegou do fim da minha rua
Diz-me sempre bom dia!
"Deus não é um conceito muito filosófico, é este mundo visto através dos olhos de uma criança" (OSHO)
quinta-feira, 29 de setembro de 2011
quarta-feira, 28 de setembro de 2011
Guia
Amor,
o silêncio é um guia
Ouço vozes quando a minha voz se anula
e simplesmente te espera nos teus silêncios....AMOR
sexta-feira, 23 de setembro de 2011
Porquês
Porquê esta sensação de que já não te basto?
Porque me tens
Tendo os olhos cheios de outros tempos Invernais?
Amor, porque não vês um rio que quer ser mais e mais...
No teu corpo a desaguar
Nos teus olhos a alcançar o mar?
Marés
e se fossemos todos dar uma volta
à volta do mundo
que é este mundo interno
mas sem cairmos no engodo
de vermos só
o nosso próprio mundo
sei lá…
que mundo é este
esta forma bizarra de olharmos
só de cima para baixo
e não vemos que os baixios
se encontram e desencontram
nas subidas e descidas das marés
maré alta
esta que me leva ao engano
sempre que abro os braços
imaginando-os remos,
remando… remando
contra as marés
quarta-feira, 21 de setembro de 2011
Alma de Palhaço
Movem-se os olhos
Quebra-se o corpo
E curva-se a alma
Perante a plateia
Que ri
E sorri
Mas não sabe
Onde aportar
A sua própria alma
Mas é no palco
De tábuas rasas
Onde cai
Uma lágrima
Que ele sorri
E ri
E são folias
Em rebeldia
E são almas
Em plena euforia
E ele volta
E assume-se
Em reviravolta
Nos traços marcados
Do rosto
Que apenas se limita
E ainda assim, sorri
E ri!
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