quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Bom dia

Decidi esperar pela madrugada, quando ainda nada se movia nas ruas

Lá fora, ouvia-se um som leve de uma brisa miudinha
Restavam talvez as pétalas das últimas flores que ainda resistem na espera de um Outono morno
As correntes do Tejo, caladas e sufocadas
A espera é um grito, a causa dos aflitos

Lá dentro, ouvia-se um som calado
Restavam as paredes frias em contraste com um corpo quente

Era talvez a verdade nua e crua a desvendar mistérios na noite
Decidi que seria a minha noite, onde me dispo sempre sozinha

A manhã chega silenciosa e cega
Mordi a língua, senti secura na boca mas mesmo assim cantei baixinho
Um silêncio amordaçado que chegou do fim da minha rua
Diz-me sempre bom dia!

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Guia

Amor,

o silêncio é um guia


Ouço vozes quando a minha voz se anula

e simplesmente te espera nos teus silêncios....AMOR

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Porquês


Porquê esta sensação de que já não te basto?


Porque me tens

Tendo os olhos cheios de outros tempos Invernais?


Amor, porque não vês um rio que quer ser mais e mais...


No teu corpo a desaguar

Nos teus olhos a alcançar o mar?

Marés

(imagem google)



e se fossemos todos dar uma volta
à volta do mundo
que é este mundo interno
mas sem cairmos no engodo
de vermos só
o nosso próprio mundo

sei lá…
que mundo é este
esta forma bizarra de olharmos
só de cima para baixo
e não vemos que os baixios
se encontram e desencontram
nas subidas e descidas das marés

maré alta
esta que me leva ao engano
sempre que abro os braços
imaginando-os remos,
remando… remando
contra as marés

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Alma de Palhaço



Movem-se os olhos
Quebra-se o corpo
E curva-se a alma
Perante a plateia
Que ri
E sorri
Mas não sabe
Onde aportar
A sua própria alma

Mas é no palco
De tábuas rasas
Onde cai
Uma lágrima
Que ele sorri
E ri

E são folias
Em rebeldia
E são almas
Em plena euforia
E ele volta
E assume-se
Em reviravolta
Nos traços marcados
Do rosto
Que apenas se limita
E ainda assim, sorri
E ri!

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Azul

(foto; Dolores Marques)



Diz-me que azul é este
Que m’afunda
Num mar que é seu
Diz-me que mundo é este
Que já não sabe
Ser terra à vista
Nem mar, nem rio e nem céu
Num olhar meu

Ego

Já não me inibe a altura
Que tanto me eleva ao alto
Já deixei cair as vertigens
Do cume de um poder imenso
Que me alimenta a fonte de prazer
E satisfaz a fome de um ego
Sedento de todas as imagens
Figurativas do meu EU