segunda-feira, 9 de maio de 2011

Silencios

Como sempre, o silêncio quebra-se, quando já não existe silêncio

O dia é uma força poderosa contra todos os silêncios nocturnos

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Medos



Não me atinge a luz certa
Nos meus olhos
Não sei como franquear
A verdadeira essência
Dos meus medos

Esfinges desprovidas de um corpo
Presas fáceis do destino
Onde a luz se consome
Para nascer de novo
Nas novas fragrâncias

(Incensos do meu norte
Adereços do meu sul)

Não me cinge a mão certa
No meu corpo
Nem sei como fazer
Do entardecer
Uma pequena partícula
A madrugar na noite

Só Alma

(foto: D.M.)






partilhar a noite


sentir que sem ela


o dia é uma noite a menos


(no dizer-me, contrariar-me, abandonar-me)


calada e fria nos meus sonhos


e saber-me


quando a noite se fechar e me levar


fazendo parte do seu silêncio


esse zumbido que me recebe


quando os sons se calam


para dar luz


à sua própria luz
*


essa distância


que se aproxima da nascente


que divide em partes


todos os momentos


e os fecunda em mim
*


eu que me refiz
para dar cor e movimento
ao meu corpo
onde repouso as mãos
quando elas me pedem sossego
e alma
só alma para chegar ao ponto
onde a noite
é o meu querer esquecido
e repartido por todos quantos sabem
onde vou


*

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Ideias





Humanizar simplesmente…actuar em torno das ideias que se afogam num rio de lágrimas, quando já nada resta a não ser um canto escuro do olho para desenformar matizes sólidas que se lançam em torno de uma ideia brilhante.



Gosto de pensar, que não tenho idade sequer para pensar em me querer crente em “humanóides”, espécies que se julgam crentes numa força maior que não conhecem. Há olhares que se encontram a escalar montanhas e nunca chegam a atingir o céu. São um centro interiormente recatado onde se encontram forças bélicas a desmembrar as nuvens e a deixar um rastro de crendice alheia até à sua própria vontade de ser uma ideia.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Sentido

Desejo-te em todas as formas

Visíveis e invisíveis

Meu bem maior...

Auferindo os enlaces

Do meu corpo

E rebuscando na minha alma

O meu único

E verdadeiro sentido

Sentindo

Gente

tenho tentado de tudo para me encontrar em alguém


e então dou comigo a esmiuçar tudo


até me sentir ainda mais gente

Medo

O medo de viver em constante agitação
O medo de ser visto
Entre formas obscuras
A transformarem-se no próprio medo em acção
O medo…
Simplesmente o medo de viver
E amar
E ser amado
E não ter chão