"Deus não é um conceito muito filosófico, é este mundo visto através dos olhos de uma criança" (OSHO)
segunda-feira, 26 de novembro de 2012
Porque
Porque pensar em dormir, se a chuva lá fora acabou de adormecer no silêncio das vozes todas que conheço?
Porque pensar em sair, se cá dentro acabou de nascer um arco-íris que vejo agora desenhado nas paredes?
Porque pensar em não pensar, se o pensamento é um caminho que me leva a tantos lugares onde a chuva cai?
Porque renascer nas vozes, se são carimbos acabados nas sobras de uma folha de papel
em branco?
Porque querer ser a verdade, se a verdade são utopias, e folias em olhos vidrados na noite?
Porque não deixar em paz a flores que tentam crescer nos vasos pendurados nas janelas?
Porque remediar os pobres com as migalhas do almoço, quando há tantos sacos de comida às portas das igrejas?
Porque não deixar em paz, quem só quer estar na paz do seu desassossego?
Que todos os sossegos se reúnam nos céus onde se escrevem vidas e se deixam cair como pingos de chuva nos telhados das velhas casas....
quinta-feira, 22 de novembro de 2012
Esse lugar
Não estou aqui
Nem sei se vou
Por aí
(Nesse lugar faz frio)
O lugar que sempre
M'acolheu
Está vazio
Não sei de mim
Nem de ti
Não há lugares cativos
(foto; Junto à Ponte da Ermida - Castro daire)
quinta-feira, 18 de outubro de 2012
Dizem que sim
Dizem que sim que há valores, uns que nos unem, outros que nos afastam. É quase certo que os valores somam-se e subtraem-se mas são eles que nos definem. É a maior dádiva que o ser humano tem. Somam-se amizades, solidariedades, benfeitorias, alegrias mas também esquizofrenias… e mais qualquer coisa ainda, num conjunto infinito de possibilidades, umas anárquicas, outras conforme o sistema energético de cada um, já para não falar sistematicamente de cada um dos valores que seguimos individualmente.
Mas uma coisa eu não sei – como se contabilizam os valores e qual a diferença entre eles e as mais valias de cada um. Será que para sermos uns vencedores teremos que deixar de ser nós? Então os valores servem para quê? Para nos despejar numa rua funda, sem nome, sem identidade?
Por exemplo; não me sirvam a amizade em bandeja de prata…não a quero assim a luzir por entre as mãos de quem só sabe ser subserviente e obediente às leis da física nuclear.
Há bombas que trazem sempre novas irradiações, aos olhos de quem quer ter núcleos vivos e não sabe ser em todos os lugares do mundo.
Deixemos os rios correrem para o mar.
Deixemos o mar saber que tem filhos que nasceram em qualquer lugar.
Deixemos as embarcações atracarem em todos os cais de pedra e acenemos-lhes que há vida ali.
Caminhemos sobre a terra em busca de alguma coisa que nos sirva de alívio para as nossas insónias.
Deixemos as noites serem menos noites
Deixemos os dias serem menos dias.
Esquecemos as duas faces; negra e branca que o luar cria na noite e sejamos nós próprios a luz em ação
Sejamos tudo mas não esqueçamos de ser nós, sempre que alguém nos propõe ser outra coisa qualquer.
Olha que os mares não se perdem
Os rios têm voz e as embarcações não lhe conhecem a foz
Mas, sabes que há maresias que valem por muitas marés e brisas que valem por muitas nortadas fortes à volta da nossa voz?
Como seria?
Se tivesse que correr por entre a chuva, como seria o meu olhar?
Um mar, um rio, um lago, uma lágrima tua, um choro meu…?
Como seria a minha fuga por caminhos alagados de todos os “suores” noturnos?
quarta-feira, 3 de outubro de 2012
Alma
Tenho saudades do mundo
Da vida em meu redor
Da minha alma
Quando cantava baixinho
E me dizia segredos muitos
Do tempo em que eu só
Queria ser alma e mais nada
sexta-feira, 28 de setembro de 2012
Viajantes
Andei por muitas ruas mas não vi
Todas as sombras, nem os grafitis
Nas paredes, nem os homens
Que engoliam a sua própria sombra
Só me lembro que caminhava
A contar as pedras da calçada
Como se fossem contas de somar
Até ao fim de todas as somas
Fiquei sem saber como respirar
E a cada passo meu, surgia
Uma ideia, um pensamento
A sossegar os meus passos
Afinal, para que servem os olhos
Se não para seguirem direções
Diferentes em todos os lugares
Onde há ventos e chuvas e brisas
Encontrei as flores esquecidas
Nos canteiros e senti-lhes
O aroma ainda fresco da manhã
A perfumar todas as ruas
quinta-feira, 20 de setembro de 2012
E tu....
sorri para ti
mas não me viste
cantei para ti
mas não ouviste
sonhei por nós
e vi-nos na corrente
translúcida
e tu tao sossegado
não sabias que os rios
são partes de nós
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