"Deus não é um conceito muito filosófico, é este mundo visto através dos olhos de uma criança" (OSHO)
quinta-feira, 20 de setembro de 2012
E tu....
sorri para ti
mas não me viste
cantei para ti
mas não ouviste
sonhei por nós
e vi-nos na corrente
translúcida
e tu tao sossegado
não sabias que os rios
são partes de nós
sexta-feira, 14 de setembro de 2012
Fome
Alimentam-se do meu corpo
Os senhores da morte
Trazem com ela
Todos os escombros
Duma só noite
Mas há noites lendárias
Para os filhos da miséria
Têm ruínas na alma
De tanto ajoelhar no chão
Em busca de pão
Seriamente vos digo
Que gosto de pão de mistura
Cozido num forno a lenha
Mas quem disse
Que a lenha arde sem fogo?
Tenho um forte apego
À terra, ao rio, ao mar e ao céu
Mas dizem que a fome é negra
A mais ousada criatura
A criar filhos na noite
Destituídos dos seus modos
Excomungam os meus sonhos
E que voltarão sempre
Que houver miséria humana
A desonrar a sua castidade
quarta-feira, 29 de agosto de 2012
Tudo é silêncio
Quero do fruto proibido
A desordem natural
Espero a vida num labirinto
Mas não vejo a entrada
Não vislumbro uma saída
Bebo da fonte
Todas as vontades
Sacio o meu desejo impuro
Mato a minha sede agreste
O extermínio
É a força dominadora
Ouve-se o último tinir do vento
Na revolta do meu corpo
Não sinto a minha alma
O frio é agora um manto seco
Agruras de outros tempos
A sua incompleta figura
Calou-me
Amortalhou-me
Sufocou-me
Segui numa eterna procura
Fui calamidade na noite
Agora tudo é folhagem dispersa
Tudo é silêncio
Tudo é nada
A madrugada chega flamejante
E com ela
Andrajo
Pedinte
Andarilho pelo tempo
Pinta grafitis nas paredes
Agitam-se sombras loucamente
Inicia-se a fuga
Junto ao ventre imaturo
O desejo escorre
Como restos de pingos de chuva nas vidraças
No rio afogou-se o último suspiro da noite
A desordem natural
Espero a vida num labirinto
Mas não vejo a entrada
Não vislumbro uma saída
Bebo da fonte
Todas as vontades
Sacio o meu desejo impuro
Mato a minha sede agreste
O extermínio
É a força dominadora
Ouve-se o último tinir do vento
Na revolta do meu corpo
Não sinto a minha alma
O frio é agora um manto seco
Agruras de outros tempos
A sua incompleta figura
Calou-me
Amortalhou-me
Sufocou-me
Segui numa eterna procura
Fui calamidade na noite
Agora tudo é folhagem dispersa
Tudo é silêncio
Tudo é nada
A madrugada chega flamejante
E com ela
Andrajo
Pedinte
Andarilho pelo tempo
Pinta grafitis nas paredes
Agitam-se sombras loucamente
Inicia-se a fuga
Junto ao ventre imaturo
O desejo escorre
Como restos de pingos de chuva nas vidraças
No rio afogou-se o último suspiro da noite
Tela: DM = MD
Incapacidade
Não te posso deixar, sem me sentir ir
Não me posso salvar, sem tentar curar-te
Não me posso queixar, sem saber ouvir-te
Não me posso calar, sem saber distinguir os sons do silêncio
Não te posso guiar, sem saber ouvir os sinais...
Não posso nada sem ti
quinta-feira, 23 de agosto de 2012
Indefinição
Paranoiac Visage – 1935 Dali
Veio de muito longe
Despedir-se do sol
Trazia um manto
Para sossegar os olhos
E realçar a dor
Tingida de branco
Triturou o ar
Com o seu
Bafo quente
Foi só por uma vez
Que mirou o seu reflexo
No círculo
Que seus olhos traçaram
Cárcere inabitado por todos
E ele definhava ali mesmo
Chamas esvoaçantes
Culminaram na intrometida esfera
Aglutinando o pensamento abstrato
(Tinha dado continuidade
Ao seu corpo
No limite dos seus passos)
Excomungada a sua alma
Adivinhava um novo tempo
De espera
Pereceu
Sem que todos os astros
Formassem fila única
E lhe mostrassem
A sua última viagem
Seria ali a criação
Dum novo paradigma
Contrastando com a imagem
Agora indefinida
quarta-feira, 8 de agosto de 2012
Tão breve
Sentada e recostada nesta cadeira, vejo-te passar em busca de alimento diário.
Tão breve é a minha passagem pela tua queda, que me junto a ti para te ajudar a erguer, para que sigamos caminho junto dos nossos semelhantes.
- Semelhanças que são como andrajos arrastados pelo vento, imagens distorcidas e envelhecidas pelo tempo em que não andávamos, mas rastejávamos.
Fecho os olhos, e ainda assim, vejo uma imagem indefinida tocada por alta voltagem a apontar em todas as direções, mas sem conseguir tocar qualquer ponto. Levanta-se um dedo e não atinge sequer a dimensão de um ponto.
segunda-feira, 23 de julho de 2012
Outros movimentos
(...)
Na rua escura, desenhava nas suas pedras, uma esfinge cor
do ouro e trazia um sol brilhante para junto dela. Via de quando em vez, as pessoas que passavam e a rua era muito
estreita para a aventura que o esperavam os longos anos que se aproximavam por
outras vistas e outras ruas, onde os fundos existem para dar ainda mais cor à
cor aos seus olhos. Gostava de ver os rostos na conquista de mais um rosto, uma
figura expressiva que lhe devolvesse algo que ia perdendo com o passar do
tempo. Alimentava-se dos seres que o visitavam nas noites de angústia e de
solidão, quando no seu quarto se dispunha a sonhar com um mundo fantástico,
onde pudesse revelar-se um ser, caminhando por todas as ruas. Ela a mulher que
o tem, sabe-o em outros movimentos mais de acordo com a vontade que todos os
homens têm. Terem uma puta na cama. Reconstitui cenas, elabora um puzzle bem à
medida dos seus desejos. E se ela se mostrasse outra Maria qualquer, iria dar
no mesmo? Ele amá-la-ia da mesma forma? E se ela se transformasse numa puta?
Ainda não esqueceu aquele fetiche. Ele pagar-lhe para ter sexo com ela. Porque
razão então tantos homens, as procuram? Às putas. Deve haver um motivo muito
forte, para levar um homem a procurar os seus serviços, quando em casa tudo
está ao seu dispor e de graça, com todas as graças exigíveis para não desequilibrar
o orçamento familiar.
Primeiro passo, seria comprar roupa, lingerie adequada. Depois,
preparar o ambiente noturno, o exterior e o interior. Ele irá encontrá-la numa
rua escura. Ela dirige-se a ele, quer saber se gosta do que vê. Se a quer. Ele
dir-lhe-á que sim e pergunta-lhe quanto cobra pelos seus serviços. Acordo feito
e aí está uma transformação bem real sob as fantasias no submundo do sexo. Outras
ruas, outros fundos, onde o amor se compra, fazendo do sexo um tráfico de
corpos ambulantes na noite. A noite é sempre o ilusório transfigurando os
gestos que ficaram esquecidos em qualquer lugar. Uma casa vazia, uma cama
desfeita, onde uma mulher se deita e ali fica á espera que o seu homem se sinta
mais homem, tocando os fundos de outras ruas (...)
(Dolores Marques – Ao Fundo de Mary)
Subscrever:
Mensagens (Atom)

