terça-feira, 2 de março de 2010

A Quem Quiser Sonhar

( Foto de minha autoria)
*
Acariciar o teu rosto
E dizer-te do mundo
E do tempo em que fomos um
E todos na medida exacta
De um pensamento

Morrer um pouco em cada dia
Será transpor os muros
E visitar-te do lado de lá
E encontrar-me do lado de cá

Destituir o sono que me tem
Por não saber
Que há sonhos que nos esperam
E a outros como convém
A quem quiser sonhar
E encontrar-nos
Para se encontrarem também

Dedicado a Jomasipe, aqui
http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=121988

segunda-feira, 1 de março de 2010

Roupagens (De JLL)

( Foto, minha - perfumes e perfumes)
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Visto-me para o dia e com o cair da noite faço roupa velha.

O problema é o verão, os dias são enormes e muitas vezes a noite de tão pequena não me dá tempo para despir o que o dia vestiu.

Tenho pedras nos sapatos que nasceram dentro deles, e mesmo quando vejo pedras maiores nos outros, estas continuam por aqui a fazer lembrar o meu caminho.
*
José Luís Lopes, um poeta e amigo escreveu aqui:
http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=121748

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Sentir Difuso


(foto Dolores Marques)
*
Inspira-me um sentir difuso
Em mortalhas caladas
Esta reclusão da alma
Que se apoia na solidão
*
A mudança é urgente
E alcança a dimensão do ser
Em piruetas disformes
Que se encontram na multidão
*
Foca-se em gestos alucinados
Na esperança de alcançar
A rota dos ventos
Em jeito de perfeição
*
Inspira-me um sentir difuso
Estes vitrais enviesados
Em vidraças escancaradas
A meio da gestação
*
(poema escrito em 2008 )

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Universo das Palavras

Lembro as formas e os contornos
Desejos eloquentes banais
Gestos alusivos às imagens
Recordações e desvarios tradicionais

Pinto as cores num universo de palavras
Para que te entenda nos teus sinais
Enlouqueço nas lembranças que se perdem
Nos translúcidos vitrais

Mergulhar nos teus sonhos
Flutuar nos teus mais altos ideais
Deslumbrar-me com um nome…rosa mística
Em permanentes buscas imortais.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Estrada Sem Nome (Para Inês Dunas)

( Imagem google)
*
São alguns momentos de introspecção
que nos levam a ouvir os sons
que chegam devagarinho
e nos conduzem
por outros caminhos...
*
Julgamo-nos sabedores
de um outro destino
mas caímos sempre como a chuva
irrigando os campos de trigo
amadurecendo as papoilas
e bafejando a terra seca
de todos os caminhos que nela
se alargaram
*
São alguns momentos na noite
que me fazem perecer
quando já nada acontece
a não ser libertar-me
e riscar o meu nome
na poeira de uma estrada
sem nome
*
Inspirado num outro de Inês Dunas:

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Sente-me

(Foto minha - Rio Tejo)
*
Distingue-me sobre as nuvens negras
Que sobrevoam o teu olhar
Vê-me como um refúgio
Que se iguala à tua janela aberta
Quando te encontro sobre o encanto dos dias
E a passagem das horas
Sempre alerta!
*
Vê-me agora um pensamento ancorado
Uma ave que se esgueira
No teu telhado...
Sente-me em sopros que aportam
Em cais sombrios
E deslizam como um manto
Transformado em leito de um rio
*
(Olhares 2008 - Corpos Editora)

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

NUANCES de Um Silêncio a Dois



Nuances...De um Silêncio a Dois (O LIVRO)

Um livro que tem como ponto de partida, a poesia a duas mãos, Ana Coelho e José Antunes

O evento irá realizar-se no dia 20 de Fevereiro próximo, e conta com o apoio da Câmara Municipal do Alenquer.

Esta apresentação está inserida na Feira do Livro a decorrer no Fórum Romeira em Alenquer, local onde será realizado o evento.

A organização do evento estará a cargo da editora "EDITA-ME" que contará com alguns momentos musicais e com as crianças presentes, irão ser desenvolvidas actividades pedagógicas por animadoras socioculturais, que estarão sob orientação de Cátia Costa.

Gostaríamos de poder contar com a Vossa presença.

Partilhamos convosco partes do prefácio escrito pelo

Prof. Arlindo Mota

PREFÁCIOAna coelho e José Antunes: entre nuances, sonhos e cumplicidades

Ana Coelho e José Antunes, são dois autores com uma envolvente e genuína pulsão pela poesia. Na escrita e nos gestos, que de gestos também se constrói a poesia. Buscam com paixão e rigor o segredo das palavras, que renovam sem cessar. Parcimoniosos na utilização de metáforas, optam claramente por não assentar na metrificação clássica, salvo uma ou outra incursão, num ou noutro poema.Conhecedores da herança lírica portuguesa, não se confinam ao formalismo e abordam a linguagem com criatividade, onde os temas do amor estão abundantemente presentes, mas também o psicológico e o social (sem cair no realismo) não são esquecidos e isso revela-se ao longo de todo do livro. A sua poesia, seguindo a moderna estética, constitui a verdade de um mundo sentido por uma subjectividade; o que ela diz é um mundo para o homem, um mundo visto de dentro, mundo singular e inimitável a que só o sentimento dará acesso. Falei até agora dos autores como se fossem apenas um: eles de alguma forma a isso nos conduzem, porque se apresentam juntos, face a se face, porque o livro constitui para eles a sagração dessa comunhão. Mas, em boa verdade, se muitos traços os identificam, outros os distinguem. Ana Coelho navega mais suavemente nas palavras, é, de algum modo, o lado assumidamente feminino do livro; José Antunes, de escrita comedida, apresenta mais arestas na leitura e na interpretação da sua simbologia. Comum aos dois, a contenção vocabular e arredia da adjectivação excessiva, que torna a sua poesia rigorosa e límpida, dotada de uma invejável coerência interna.O livro, por sua opção, apresenta-se dividido em cinco capítulos: “Momentos”; “Trincheiras de Sonho”; “Distâncias”; “Lampejos”; “Cumplicidades”.

Janeiro de 2010

Arlindo Mota




(Convite enviado pelos autores e amigos Ana e José. Conto convosco)