terça-feira, 21 de julho de 2009

Anjos



Neste e noutros mundos
há sempre um sonho à espreita

Em todas as ruas
há casas desfeitas
há becos sombrios
há de tudo um pouco

Mas há sempre um sítio
onde guardo os afectos

Mesmo que mal arrumados....
vou lá e trago-os ao colo...

Ofereço-te hoje um momento
que ficou parado lá atrás...

Um dia que roubou de mim tudo
até tu, na companhia de um anjo


sábado, 18 de julho de 2009

Paixões Proibidas

( Foto de minha autoria: topo de uma escultura em ferro)

Será na penumbra da noite
Que os sons se perderão
Será sempre no silêncio de mim
Que os tambores soarão

É agora o momento
Da total loucura
Onde se transforma a paixão
Amar-te
Amar-me
Perder-me
E esvaziar-me
No términus de um caminho
Que está ainda por percorrer

Será sempre um reino
Que há-de vir
Serei eu sempre a mulher
Com um destino a cumprir

Nas minhas mãos
Traço os contornos dos dias
Afundar-me
Justificar-me
E encontrar-te
Na procura de mim
E nas incertezas
Desenterrar todas as raízes adormecidas
E cobrir-me de terra fresca
De um único chão

Será na alçada da noite
Que colherei o perfume das rosas
Procura-me em todas elas
Um canto, um poema ou a última prosa

sábado, 11 de julho de 2009

Sinto

sinto-me assim
um misto de loucura impaciente
a transbordar
como onda no meio do oceano

mas gosto de saber
que sinto tudo o que sou,
e sou tudo o que sinto


sexta-feira, 10 de julho de 2009

Sou...


Sou um vento que passa breve
E pinto esta tela tosca
Onde as palavras gastas
Ganham força
*
Sou refúgio
Sou um fardo belicoso
Sou maré, sou enchente
Sou estridente
Sou gente que sente
*
Em esperas ansiosas
Dispo-me de olhares e de mendigos
Que se estendem
Num mar inerente aos perigos
*
Sou potente, sou betão
Sou um sim, sou um não
Sou negrume, sou o chão
Sou a dor presente
Sou gente que sente
*
Há nesta pintura abstracta
Mais do que arte e "décort”
São desfiles multicolores
Mas à vista…
São só rumores
*
(Escrito Maio de 2008)

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Alquimias


Se as vistas
Que (a)visto daqui
Me trouxerem o teu sorriso
Mergulho nesse mar que vi
E sugo-te o mel que coalha
No teu corpo

És já um instante
Que percorro
Sedução e paixão
E a minha boca
Um sopro quente
Alquimia soletrada pelo chão

E lá que me encontras
Em constante agitação
Apartei-me do meu rio
E sou-te onda presa
Maremoto onde aprumo
A minha solidão

Sou nas brumas da memória
Um corpo só
E na alma…
Todos num
Sou nos tempos idos
Um vulcão que morreu na tua mão

Vê como sangra ainda
E corre por todos os rios
Ao encontro das vestes idas
Onde o sol reparte
A melhor parte do único verão

Dou-te a minha boca
Sê tu um único trago
E sacia a minha sede
Que morre aos poucos
Num descampado
Onde se juntam as estrelas
E se arrumam outros sóis
Sem embarcação

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Encontros

Foto de Minha autoria

Afagam nas madrugadas
Um ventre imaculado
As tardes em que o sol
Trepa o rio
E fica do outro lado das casas

As luzes apagam-se sempre à mesma hora
Olho os reflexos na água
Que se aquieta
E se alonga num céu tingido
Onde o luar é sôfrego
Por uma noite só...

E eu ouço-te no caminhar das águas
Que correm silenciosamente
Pelo meu corpo
E as gotas ficaram paradas
Num ponto morto
Onde os meus olhos se fecham
E a tua sede
É una no meu peito

Deixa-me saber-te aí
Para um encontro
Nos sonhos
Que deixamos hà tanto tempo
Esquecidos

sábado, 6 de junho de 2009

Vozes dos Mil e Um Poetas


Auto-Retrato
Encontro-te…
Poeta de mil vozes
A encantar os sonhos
Do meu imaginário

Eu, a correr pelos campos
E tu a despontar
Dos corais no meio do oceano

E ouço-as!
As vozes dos mil e um poetas
Jóias raras da cor da luz

Foi lá que me fiz
Uma e outra…
Quando me vi reflectida
Na eterna lucidez
Das águas mornas

Aquelas que enchem os rios
Do meu desassossego

E tu poeta de mil vozes
És nascente que seduz
Os olhares cativos

Alimento da alma
Que jaz em pedaços
Junto à foz.